Perto de 150 mil pessoas, em 13 concelhos do país, continuavam às 12h00 sem energia eléctrica devido aos danos provocados pelo mau tempo que afectou o país durante a madrugada de hoje, informou a EDP Distribuição. A empresa indica que a reposição do fornecimento eléctrico deverá decorrer “progressivamente ao longo do dia”.
Os concelhos afectados são Torres Vedras, Cadaval, Lourinhã, Mafra, no distrito de Lisboa, Peniche, Caldas da Rainha (Leiria), Ourém, Entroncamento, Santarém, Tomar (Santarém), Sertã (Castelo Branco), Silves e Portimão (Faro).
Em comunicado, a EDP Distribuição indica que o mau tempo privou, no total, 350 mil clientes de energia durante a última madrugada e que os trabalhos de reparação estão a ser dificultados pelo grau dos danos, provocado pela queda de árvores e pelas más condições de acesso aos locais afectados.
Segundo a empresa, estão envolvidas na reparação de danos no terreno e reposição do abastecimento 800 trabalhadores da empresa e 150 viaturas, estando os trabalhos a decorrer em colaboração com a Protecção Civil e as corporações de bombeiros.
Tornado pode ter atingido região Oeste
A região do Oeste, uma das mais afectadas pelo temporal da última noite, pode ter sido atingida por um “tornado”. Idália Mendonça, do Instituto de Meteorologia, indicou à Lusa que ainda não se sabe o que se passou naquela região porque a rede de estações do instituto não detectou o “fenómeno”. “Não foi detectada pela nossa rede de estações. Foi um fenómeno de pequena escala, pontual. O valor mais alto que temos na rede é de 140 km/hora em Cabo Carvoeiro, que é próximo, mas estes 140 km/hora não justificam aquele grau de destruição”, explicou.
A meteorologista admite a hipótese de se ter tratado de um tornado. “Provavelmente pode ter sido um tornado de pequena escala. É importante avaliar-se primeiro os estragos e só depois é que se consegue determinar o que se passou na região, mas ainda é cedo”, disse.
Na região Oeste foram registados vários estragos. Telhados de habitações, pavilhões municipais, como o da Expotorres em Torres Vedras ou da cooperativa agrícola Frutus, no Cadaval, bem como estruturas de armazéns ficaram em grande parte destruídos. O forte temporal provocou ainda a queda de postes de electricidade. A câmara de Torres Vedras decidiu accionar o plano de municipal de emergência.
Na Lourinhã, a câmara decidiu também accionar o plano municipal de emergência. De acordo com o presidente da câmara, José Manuel Custódio a “situação é muito grave” naquela região. “O cenário é devastador. Há casas, armazéns, associações e colectividades destelhadas, postes caídos, árvores arrancadas pela raiz e estradas sem sinalização de trânsito e as placas com os nomes das localidades derrubadas”, referiu.
Lisboa em estado de alerta amarelo até amanhã
Em Lisboa, a Protecção Civil anunciou, entretanto, que vai manter o estado de alerta amarelo até amanhã, depois de na madrugada de hoje o mau tempo ter causado estragos materiais. Esta madrugada foram registadas 219 ocorrências que obrigaram à intervenção de 229 corpos de bombeiros, envolvendo 909 homens, adiantou o comandante distrital de operações de socorro de Lisboa, Eliseo Oliveira.
A Protecção Civil esteve hoje reunida em Mafra com o governador civil de Lisboa e com a EDP para avaliar os estragos do mau tempo. Segundo Eliseo Oliveira, “os principais danos têm a ver com estruturas e quedas de árvores”. “Houve também obstrução de vias de comunicação que não permitiram às pessoas que saíssem para os seus locais de trabalho”, disse o responsável, garantindo que até ao momento não “há conhecimento de quaisquer desalojados” nem vítimas. Segundo o comandante, o parque de campismo de Santa Cruz, em Torres Vedras, foi um dos locais mais afectados pelo mau tempo, “com danos avultados”.
O governador civil de Lisboa, António Galamba, adiantou que as autoridades se vão manter em estado de alerta amarelo, não só devido às condições atmosféricas mas também por esta ser uma altura em que as pessoas circulam muito nas estradas.
Voos com atrasos e cancelados


