Turquia insurge-se contra o Congresso norte-americano por causa do “genocídio” arménio 
05.03.2010 - 09:52 Por PÚBLICO
O regime de Ancara está a reagir de forma azeda à resolução aprovada ontem pelo comité do Congresso norte-americano, descrevendo como “genocídio” os massacres de arménios durante o Império Otomano.
O embaixador turco em Washington foi chamado para consultas e o governo está, segundo a BBC, a ponderar outro tipo de respostas à decisão do Congresso.
Expressando-se “preocupado” que esta medida venha prejudicar as relações entre os dois países, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, sublinhou que podem mesmo vir a ser postos em causa os esforços diplomáticos encetados para pôr termo a um século de hostilidade entre a muçulmana Turquia e a cristã Arménia.
Erdogan afirmou que o seu país, crucial aliado dos Estados Unidos e membro da NATO, está a ser acusado de um crime que “não cometeu”. A crítica foi reforçada pelo Presidente turco, Abdullah Gul, o qual afirmou que “a Turquia não será responsável pelos resultados negativos a que este acontecimento pode levar”.
Por seu lado, o ministro dos Negócio Estrangeiros arménio, Edward Nalbandian, viu aqui um “estímulo” na defesa dos direitos humanos. Apesar da veemente negação turca, muitos historiadores – a par da Arménia e de mais outros 20 países – consideram que os massacres ocorridos durante a I Guerra Mundial contra a etnia arménia constituíram genocídio.
A resolução foi aprovada, pela margem apertadíssima de 23 votos contra 22, no Comité de Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes, com um texto que apela – mas não vincula – o chefe de Estado norte-americano, Barack Obama, a assegurar que a política externa dos Estados Unidos considere formalmente a morte de centenas de milhares de pessoas da etnia arménia entre 1915 e 1916 como um genocídio perpetrado pelos turcos otomanos.
Não é claro que a resolução seja apresentada para votação na assembleia da câmara baixa do Congresso. O Comité, de resto, avançou com este voto apesar de terem sido feitos apelos insistentes até ao último momento por parte da Administração de Obama para que o texto não fosse submetido a votação.
O ministro dos Negócios Estrangeiros turco reiterou hoje – após semanas contínuas de pressão – o apelo a Washington para que a resolução seja bloqueada antes de chegar a sessão plena do Congresso.
Actualizado às 12h25
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