Fariñas promete continuar greve de fome até às últimas consequências 
04.03.2010 - 15:58 Por Adelino Gomes, Cláudia Sobral
Depois de ter sido hospitalizado por perder os sentidos, o dissidente cubano Guillermo Fariñas regressou ontem à noite a casa, em Santa Clara, e está decidido a continuar com a greve de fome que iniciou há mais uma semana.
Fariñas tinha sido impedido de assistir ao funeral de outro dissidente, Orlando Zapata Tamayo, que morreu na semana passada depois de mais de dois meses em greve de fome para protestar contra as más condições nas prisões cubanas.
Ontem Fariñas passou várias horas no hospital, depois de, por volta das 11 da manhã (cerca das 4 horas da tarde em Lisboa) ter perdido os sentidos. Foi alimentado por via intravenosa, porque continua a recusar-se a comer. “Não paro com a greve de fome porque não libertaram os meus irmãos de luta”, explicou ao diário espanhol “El Mundo”. “Seguirei até às últimas consequências”, adiantou já em casa, ignorando as recomendações dos médicos.
E a determinação do dissidente vai mais longe: “quero morrer e ser convertido num mártir da luta pela liberdade em Cuba”, confessou ao “El País”.
“Parece que o vão hidratar quando necessário, mas sem que permaneça no hospital”, disse ao “El Mundo” o porta-voz da Comissão Cubana para os Direitos Humanos, Elizardo Sánchez.
O jornalista de 48 anos, que é também psicólogo, pede ao Governo que liberte os presos políticos com problemas de saúde. “[A morte] de Orlando Zapata não foi uma casualidade”, afirma. E adianta: “o Governo cubano mata os seus opositores há 50 anos”.
Fariñas já esteve outras 22 vezes em greve de fome como forma de protesto contra o regime de Fidel Castro e, desde 2008, do seu irmão Raul Castro. O dissidente chegou a estar sete meses sem ingerir alimentos, em 2006, para exigir o fim dos condicionamentos no acesso à Internet.
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