O Ministério da Educação afirma que não é possível utilizar papel reciclado nos enunciados das Provas de Aferição, de forma a garantir uma boa qualidade de impressão, já que as folhas são utilizadas dos dois lados.
“As páginas são impressas frente e verso e é por essa razão que não se pode recorrer a papel reciclado na impressão das provas, devendo esta cumprir certos requisitos técnicos, de modo a garantir uma boa qualidade de impressão”, afirma o director do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), numa nota enviada à agência Lusa.
Segundo contas realizadas pela Lusa, foram gastas em 2009 pelo menos 5 071 387 folhas de papel na impressão das Provas de Aferição. As associações de professores consideram que é possível reduzir este gasto, enquanto os ambientalistas apontam a destruição de mais de 500 árvores e relembram ao Governo a legislação relacionada com compras ecológicas.
De acordo com Hélder Diniz de Sousa, é necessário ter em conta que a extensão das provas deve-se ao facto de que as respostas dos alunos são dadas nos próprios enunciados, “pelo que não é gasto papel em folhas de resposta”, como acontece, por exemplo, nos exames nacionais do ensino secundário.
“Deve ainda ter-se em atenção que cada item, com o respectivo suporte, deve estar inscrito numa única página ou, se necessário, sequencialmente em páginas par e ímpar”, acrescenta o director da entidade responsável pela elaboração destes testes.
Para Hélder Diniz de Sousa, o tamanho da letra e dos suportes dos itens utilizados nos enunciados “é adequado” aos alunos do 4.º e 6.º anos e “o impacto negativo” da extensão das provas é “rapidamente ultrapassado” quando o aluno se apercebe que “cada item está bem individualizado dos demais” e que dispõe de espaço suficiente para apresentar as respostas.
“As características gráficas destas provas não são diferentes das apresentadas por provas congéneres em outros países ou por provas de avaliação em larga escala de âmbito internacional”, garante o director do GAVE, na sequência de questões colocadas pela Lusa.
Hélder Diniz de Sousa adianta que os enunciados não utilizados ficam à guarda das escolas, que os reutilizam como material didáctico ou os reciclam.
Por outro lado, garante que as preocupações de natureza ambiental merecem da parte do Ministério da Educação “a maior atenção”.
“O GAVE tomou, a partir de 2006, um conjunto de medidas que concorrem para uma desejável redução do consumo de papel”, remata, sem especificar.
Mais de 230 mil alunos do 4.º e 6.º anos realizam esta semana provas de aferição a Língua Portuguesa e Matemática, testes que visam a recolha de dados relevantes sobre os níveis de desempenho dos estudantes, mas que não contam para a nota.
Em 2007, o então secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, afirmou que, no total, as Provas de Aferição custavam ao Executivo cerca de 300 mil euros.


