• Storytailors estreiam blogue no Life&Style
  • "Nada Tenho de Meu" - Um diário de viagem ficcionado no Extremo Oriente
  • Nasceu um grande vinho do Douro

Três perguntas a Américo Baptista

"Medos não desaparecem sem o apoio da escola"

22.03.2010 - 09:24 Por Romana Borja-Santos

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Psicólogo clínico e professor da Universidade Lusófona, Américo Baptista diz que os professores vivem em depressão por se sentirem impotentes.

Os casos de indisciplina e de violência estão a aumentar o medo dos professores?
Os professores são considerados como pessoas com autoridade e com poder para controlar as situações de violência e de indisciplina. Contudo, na prática, todas as decisões que tomem e que impliquem uma punição são vistas como uma repressão. Mais do que medo de lidar com os alunos, os professores vivem em depressão por estarem impotentes. Encontram-se num papel que no fundo não podem exercer e estão esvaziados de autoridade. O descrédito da classe causa, naturalmente, depressão e ansiedade e não há transmissão de conhecimentos sem uma aula relativamente ordeira.

Que consequências terá este clima na formação dos alunos?
Há uma perspectiva de educação pela positiva exagerada. A greve aos trabalhos de casa, em 2004, é um exemplo de como se está a ensinar as crianças a desobedecerem e a ficarem sem hábitos de trabalho. E as regras, por vezes, têm de ser impostas de forma repressiva. Sempre que um aluno tem um comportamento desadequado, este deve vir acompanhado de uma consequência desagradável. Não pode persistir a ideia de que as coisas acontecem sem esforço. Estamos a formar uma geração que queremos que se sinta sempre bem... Mas sentir-se bem não é o mesmo que fazer bem. Fazer bem implica esforço e estes alunos quando um dia tiverem uma dificuldade não vão saber lidar com a frustração.

De que forma pode a escola reverter a situação? A solução passa por reforçar o poder dos directores das escolas?
É fundamental discutir e estabelecer estratégias em grupo. Se a cultura de uma escola for a "tolerância zero" a este tipo de situações, os conflitos vão diminuindo. O apoio de toda a comunidade educativa e um clima de protecção são essenciais para que os professores exerçam o seu trabalho. Deve haver suporte entre pares e o limite do aceitável deve ser bem definido. Os medos não desaparecem sem o apoio da escola e sem ser dada aos professores uma sensação verdadeira de segurança e controlo. De dizer que se vai dar autoridade aos directores a concretizá-lo vai um grande passo. Quanto aos alunos, é importante trabalhar a inteligência emocional, isto é, fazer com que compreendam as emoções e que consigam sentir o que é estar na pele do outro.

Estatísticas

  • 615 leitores
  • 0 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1428741

Comentário + votado

X

Mais em Educação (5 de 8 artigos)

Escolas: cinco exemplos de boas práticas