BE propõe que avaliação de desempenho não seja considerada no concurso de professores de 2011

28.04.2010 - 16:13 Por Lusa
O Bloco de Esquerda (BE) entregou hoje na Assembleia da República um projecto de lei para impedir que os resultados da avaliação de desempenho tenham efeitos no concurso extraordinário de contratação de professores do próximo ano.
O diploma, a que a agência Lusa teve acesso, prorroga até ao ano escolar de 2011/2012 uma norma transitória que estipula que a lista de ordenação dos candidatos é calculada com base no tempo de serviço e na nota de curso.
"Não apresentámos este diploma antes porque tudo indicava, durante a negociação com os sindicatos, que a avaliação não seria considerada nos concursos. O Governo quando propõe um novo modelo [de avaliação] reconhece que o anterior não produzia resultados fiáveis", sublinhou a deputada Ana Drago, em declarações à Lusa.
Segundo Ana Drago, com a consideração da avaliação para efeitos de concursos, a vontade política do Ministério da Educação (ME) é "pressionar os professores a colaborarem com o modelo de avaliação".
"É uma chantagem que não é aceitável", acrescentou.
A deputada do BE defendeu a necessidade de garantir já que a avaliação não será considerada no concurso extraordinário do próximo ano e depois discutir a sua inclusão nos recrutamentos dos anos seguintes.
Por outro lado, lembrou que o Governo não cumpriu inteiramente a projecto de resolução do PSD aprovado na Assembleia da República, em Novembro do ano passado, sobre estatuto da carreira docente e avaliação de desempenho.
O diploma recomendava que fossem criadas condições para que do 1.º ciclo avaliativo, que terminou a 31 de Dezembro de 2009, não resultem penalizações para os professores para efeitos de progressão na carreira, "derivadas de interpretações contraditórias da sua aplicação".
"O Ministério da Educação assumiu o compromisso de realizar um concurso em 2011, que responda não só à integração na carreira de milhares de professores contratados que colmatam necessidades permanentes do sistema educativo [...]", lembra o Bloco de Esquerda, na exposição de motivos do projecto de lei.
O partido afirma que, tendo em conta as situações de injustiça que a consideração da avaliação vai criar, a posição do Ministério da Educação é "eticamente reprovável".
"São várias as situações de tratamento desigual de docentes que se encontram na mesma situação", sublinha.
Os sindicatos de professores manifestaram-se contra a consideração da avaliação no concurso anual de colocação de professores, cuja fase de candidaturas terminou na sexta-feira.
Um professor classificado com "Muito Bom" recebe mais um valor, enquanto um colega avaliado com "Excelente" é bonificado em dois valores. Até à data, a lista de graduação nacional era elaborada tendo em conta a nota de curso do docente e os anos de serviço.

