António Rendas: “Todas as universidades têm um carácter relativamente regional”

08.03.2010 - 22:00 Por Bárbara Wong
António Rendas defende que o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) deve ser mais visível, não só aos olhos da opinião pública como do Governo, de outros decisores nacionais e internacionais. O reitor da Universidade Nova de Lisboa foi eleito por maioria pelos seus pares para dirigir o organismo nos próximos três anos. Toma agora posse.
Quais são as principais linhas do programa que vai apresentar hoje na primeira reunião com todos os reitores?
António Rendas O programa vai ser de reestruturação do funcionamento do CRUP. A estratégia de comunicação e informação para o exterior tem que ser mais fluida, os contactos têm que ser mais directos. Vou ter uma iniciativa de articular o CRUP com a Fundação das Universidades Portuguesas, que tem uma tradição de think tank para as universidades, que deve ser dinamizada.
Que avaliação faz do mandato do seu antecessor Seabra Santos, reitor de Coimbra?
Acho que viveu um período muito difícil em termos financeiro e as coisas estiveram muito focadas num só tema, o do financiamento. As universidades são muito mais do que isso, são ensino, investigação, a ligação com a sociedade. As universidades são muito diversificadas e bem sucedidas.
Apesar dos contratos de confiança assinados com o Governo, o financiamento continua a ser uma preocupação?
Sim, claro. Foi assinado um contrato por quatro anos e quando chegar ao fim deste ano, temos que ver se as universidades e o Governo cumpriram. A minha preocupação é acompanhar e ver se os objectivos foram cumpridos. A questão financeira continua a pôr-se.
Qual é o papel do CRUP?
O CRUP deve divulgar informação, partilhá-la, debater com cada uma das instituições como é que podem cumprir isoladamente e também como promover iniciativas conjuntas. O CRUP pode potenciar actividades conjuntas. Eu sou um adepto de que é bom partilhar informação entre as instituições.
É pouco habitual fazerem-no?
Acho que se tem feito muito. A informação que tenho é que o número de programas conjuntos entre as universidades portuguesas está a aumentar e as parcerias que o Governo promoveu com as universidades norte-americanas foram alavancas para o fazer. E é por aí que vamos ter massa crítica para competir internacionalmente.
Como é que vão cumprir as metas impostas pelos contratos de confiança?
Monitorizando e partilhando informação.
Além do financiamento, que desafios se colocam ao CRUP?
A ligação com a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). Neste momento, a A3ES vai apresentar uma coisa extremamente importante em Portugal que é o acervo da oferta curricular. É muito importante haver partilha de informação entre o CRUP e a A3ES porque essa vai possibilitar às instituições mais capacidade de auto-avaliação. A A3ES vai promover e apoiar a criação de sistemas internos de avaliação.
Mas nem todas as instituições vão ter esses sistemas.
Vamos ver... Pode haver, por exemplo, uma coisa muito frequente em Inglaterra que são os códigos de boas práticas. O que está em causa é o estudante que tem que ter a garantia que qualquer universidade pública tem regras.
O presidente da A3ES fala da necessidade de serem as universidades a fecharem os cursos com menos qualidade. Concorda?
Nenhuma agência europeia tem a pretensão de ser reguladora da oferta curricular. As agências vão instituir mecanismos de boas práticas, as outras funções têm a ver com as pessoas que estão no terreno. Vai ter que haver descentralização e responsabilidade das instituições pelos programas internos de garantia de qualidade porque as universidades não são todas iguais. A regulação da oferta dos cursos, novas aberturas e encerramentos vai depender das instituições e da maneira como se inserem no meio porque todas as nossas universidades têm um carácter relativamente regional.
Que balanço faz da aplicação do processo de Bolonha?

