Adolescentes ultrapassam fobia social generalizada experimentando situações de stress

26.03.2010 - 14:14 Por Lusa
Adolescentes com fobia social generalizada ultrapassam o medo da opinião dos outros se experimentarem as situações que lhes provocam ansiedade e julgam não serem capazes de realizar, conclui um estudo de uma psicóloga de Coimbra.
O estudo, que demorou três anos e, segundo a investigadora, é inovador, contou com o envolvimento de professores e pais e incluiu situações vivenciadas, filmadas e analisadas posteriormente pelos próprios adolescentes.
Em tese de doutoramento defendida há dias, Maria do Céu Salvador, docente na Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, propôs um novo protocolo de intervenção para adolescentes com fobia social generalizada, intitulado “Ser Eu Próprio entre os Outros”.
Contrariando o que é habitual nos protocolos de intervenção, a investigação partiu do pressuposto de que os adolescentes evitam as situações que lhes geram stress “não por falta de competências, mas como medida de protecção, para não correrem o risco de serem avaliados negativamente por outra pessoa”, disse a investigadora à Lusa.
“Os outros protocolos assentavam muito em modificar o que os adolescentes sentiam e pensavam, este não mexe nisso, leva-os a perceber que o que pensam e sentem não podem controlar e o importante é o seu comportamento, a acção”, explicou.
Segundo estudos nacionais e internacionais, a fobia social generalizada nos adolescentes tem uma “prevalência entre os sete e os 13 por cento”.
“É muito frequente e passa despercebida porque habitualmente estes miúdos são os tímidos, muito certinhos, não desestabilizam na aula, a única coisa que a professora diz é que ‘podiam participar mais’ mas, devido à ansiedade com que reagem aos testes, o desempenho nas provas acaba por não corresponder ao que realmente sabem”, disse.
Foram estudados 60 adolescentes, dos quais 24 com fobia social generalizada, 18 com fobia específica ao desempenho escolar e os restantes sem psicopatologia (grupo de controlo).
O estudo veio confirmar que uma perturbação da ansiedade com carácter crónico não é ultrapassada sem terapia e que os adolescentes submetidos às situações “incómodas” acabam por ultrapassar a fobia, ao perceberem que “a ansiedade é uma resposta automática do corpo às situações que achamos perigosas”.
Meter conversa com um desconhecido na paragem do autocarro ou responder à reacção do empregado de um café onde entornou um copo intencionalmente são exemplos de situações vivenciadas pelos adolescentes, em grupo.
Com os professores e pais foram combinadas estratégias para ajudar os jovens a ultrapassar a fobia, como a apresentação de trabalhos na aula e encontros com amigos.
“Concentra-te naquilo que podes mudar - o comportamento - e não no que não podes controlar - o pensamento e o sentimento” era a tarefa dos adolescentes, que “acabaram por perceber que o que são e do que são capazes basta e é suficientemente bom”.
Após seis meses de intervenção terapêutica, a maioria dos adolescentes ultrapassou a fobia social generalizada, bem como a específica ao desempenho escolar.

