Em 1995, o número de vagas para os cursos do ensino superior era de 34306, este ano serão 51918 os lugares disponíveis na primeira fase das candidaturas, que tem início amanhã. O que representa um aumento de 2,2 por cento por comparação a 2008.
Para além do aumento do número de lugares, os dados ontem divulgados pelo Ministério do Ensino Superior permitem confirmar outras tendências. O ensino superior politécnico é o principal responsável pelo aumento de vagas, embora a subida tenha sido menor do que o registado no ano passado. Há 24801 lugares, mais 783 do que em 2008. Neste ano, por comparação a 2007, o politécnico tinha disponíveis mais 1166 lugares. Para o ensino superior universitário, o número de vagas este ano é de 27117, mais 358 do que em 2008.
Voltou também a aumentar o número de vagas para horários pós-laborais: são mais de 4200. Entre 2006 e 2007, tinham já crescido mais de 50 por cento. O ministério sublinha “o esforço feito pelas instituições do ensino superior público” de modo a ampliar “de maneira significativa a oferta aos trabalhadores-estudantes”.
A licenciatura em Direito da Universidade de Lisboa não abdicou do seu recorde. Continua a ser aquela que mais vagas pôs a concurso: 450, mesmo assim menos do que as 510 do ano passado. E os lugares para os cursos de Medicina voltaram também a aumentar: há 1658 vagas, mais 168 do que em 2008.
Mas, pela primeira vez, este acréscimo está por conta do concurso especial para licenciados, criado em 2007. No ano passado, o número de vagas reservado para este grupo foi de 125. Com 295 lugares, a Faculdade de Medicina de Lisboa é a que põe a concurso mais vagas. Seguem-se as faculdades de Coimbra e Porto, com 254 e 245 lugares respectivamente.
Vagas podem ser excessivas
Para a Ordem dos Médicos, esta oferta é motivo de preocupação, diz ao PÚBLICO o bastonário Pedro Nunes. “Do mesmo modo que, há alguns anos atrás, defendemos que era preciso abrir mais vagas, agora alertamos que é preciso ver primeiro se o Serviço Nacional de Saúde tem condições para absorver” os novos licenciados.
Não só para os empregar, mas também para lhes dar a formação necessária pós-graduação, acrescenta. Segundo Pedro Nunes, continuar a abrir-se vagas sem que tal esteja garantido poderá levar a que os jovens estejam a “desperdiçar” anos preciosos. E isso é uma “traição”, frisa.
Ao contrário do que tem sido norma, o Ministério do Ensino Superior limitou-se ontem a disponibilizar o número de vagas por instituição e por curso, não agrupando as vagas por áreas de formação. Uma leitura das mais de 50 páginas de Excel postas a circular permite arriscar, contudo, que também aqui se confirmam tendências anteriores. Nos últimos anos, os cursos de ciências e tecnologias têm-se mantido à frente no número de vagas, seguidos pelos de Ciências Sociais e de Saúde.
A primeira fase das candidaturas ao ensino superior decorre até 7 de Agosto para os estudantes que o façam através da Internet. De 31 de Julho a 7 de Agosto, podem concorrer também os alunos que se apresentaram à segunda fase dos exames nacionais do secundário, que começa na segunda-feira.
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