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Para aproximar práticas circenses do ensino superior

Universidade de Évora abre curso internacional sobre circo

02.08.2007 - 11:05 Por Lusa

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O Chapitô é ainda o único local que oferece formação em circo O Chapitô é ainda o único local que oferece formação em circo (Pedro Cunha(PÚBLICO)
A história do circo, desde os seus primórdios até à actualidade, e as práticas circenses vão ser abordadas num curso internacional, em Setembro, na Universidade de Évora, para abrir espaço a essa linguagem artística no meio universitário.

"Circo: História(S), Imagen(s) e Prática(S)" é a designação do curso que, de 17 a 21 de Setembro, vai levar à academia alentejana vários especialistas na temática, desde estudiosos e investigadores a artistas.

A iniciativa é promovida pelo Departamento de Artes Cénicas e pelo Centro de História da Arte da Universidade de Évora, em parceria com diversas entidades, nomeadamente o Festival de Performance e Artes da Terra "Escrita na Paisagem".

Em declarações à agência Lusa, José Alberto Ferreira, responsável do "Escrita na Paisagem" — cuja edição deste ano está a decorrer — e professor na universidade, disse que, em Portugal, o ensino universitário e o circo "têm andado afastados".

"Fomos verificando que, apesar de existir um grande interesse, havia uma espécie de zona vazia no espaço universitário português quanto a esta área artística, e daí surgiu a ideia de fazer o curso internacional", afirmou.

O circo, acrescentou o mesmo responsável, é considerado muitas vezes "uma linguagem artística menor", ficando por isso "arredada dos circuitos de conhecimento".

Para "contrariar esta tendência" e mostrar que essa é uma "ideia errada", a Universidade de Évora abre portas ao mundo do circo, durante uma semana, não se limitando a abordar o fenómeno emergente do "novo circo".

"Aquilo que se designa como 'novo circo' nem sempre corresponde a uma coisa tão sólida quanto parece e não é muito consensual no mundo académico. Por isso quisemos debruçar-nos sobre um circo mais abrangente, desde os primórdios até às suas formas contemporâneas", referiu José Alberto Ferreira.

O objectivo do curso passa por combinar a prática com a teoria, o discurso do artista com o do estudioso, a palavra com o suporte audiovisual, bem como com os espectáculos.

O curso arranca a 17 de Setembro com um seminário em que serão abordados os temas "Panorama histórico sobre as origens remotas do circo" e "Cruzamentos entre linguagens artísticas do século XX" por dois investigadores da universidade francesa de Montpellier.

"O circo em França nos últimos 30 anos", "O circo na Catalunha nos últimos 30 anos" e "O estado do circo contemporâneo em Portugal" são outros dos tópicos em discussão, no segundo dia da iniciativa.

Ateliers práticos, com acrobacia, malabarismo, mastro chinês, báscula, o testemunho da fundadora do Chapitô, Teresa Ricô, uma conversa com o coreógrafo Rui Horta e com o artista de circo João Paulo Santos e um painel temático sobre documentação, arquivo e criação são propostas para os restantes dias.

Ao mesmo tempo, durante toda a semana, em parceria com o "Escrita na Paisagem", vai ser exibida em vídeo uma retrospectiva sobre o circo em França, intitulada "A aventura francesa dos últimos 30 anos", com os espectáculos e as companhias mais significativas.

O curso internacional, dirigido a estudantes, artistas, investigadores e programadores, entre outros, não ambiciona "formar artistas de circo" mas sim "estimular e sensibilizar as pessoas para o circo enquanto área disciplinar".

"Em Portugal só temos uma escola técnica, que é o Chapitô, mas não há qualquer curso de formação superior nesta área. É preciso um enfoque especializado e queremos dar um passo inaugural para colocar o circo dentro da universidade e na reflexão sobre as artes cénicas", afiançou José Alberto Ferreira.

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Palhaços, só com mestrado

Já estou a ver que para exercer a actividade circense vai ser como noutros sectores, é preciso ter ...

algarvia

03.08.2007 12:37

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