Um em cada três diz que Novas Oportunidades teve impacto positivo na sua vida profissional

22.10.2010 - 16:04 Por Bárbara Wong
Um em cada três adultos afirma que a Iniciativa Novas Oportunidades (INO) teve "pelo menos" um factor positivo na sua vida profissional. Destes, a maioria dos que mudou de emprego diz que o fez para melhor. Há ainda cerca de dez por cento que sentiu melhorias nos salários. Além da vida profissional, também na pessoal, verifica-se um acréscimo da auto-estima, revela a avaliação externa coordenada pelo ex-ministro da Educação Roberto Carneiro, da Universidade Católica Portuguesa.
Ao todo há 32 por cento que declara que a INO teve factores positivos na vida profissional. Para Luís Capucha, director da ANQ não são "só", mas são "já 32 por cento", isto porque a iniciativa avalia 18 meses da vida dos inquiridos. "Não podemos olhar para este número isolado porque é preciso ver o número de empresas que já assumiu contratos com os centros de Novas Oportunidades [cerca de oito mil]", declara, em conferência de imprensa, ao início da tarde, em Lisboa.
Quando os inquiridos pensam na INO assumem-na como uma "marca pública de serviço" com valores claros de acessibilidade e inclusão. E quando aderem, preferem entrar pelo sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) porque este prevê “menores sacrifícios”.
A avaliação que os adultos fazem é positiva. Começa logo no primeiro contacto com o Centro Novas Oportunidades, onde destacam a qualidade de serviço, das equipas e das instalações. Os inquiridos consideram “muito importante” a passagem pela INO – 85 por cento diz estar disponível para recomendar a experiência a outros adultos. Entre os que afirmam terem tido ganhos no trabalho: 27 por cento afirma que viu alargadas as suas competências; 21 por cento refere que passou a ter pessoas à sua responsabilidade ou viu esse número ser aumentado. A maioria diz que se tornou mais fácil lidar com assuntos de trabalho, outros tiveram melhorias ao nível de regalias. Quase dez por cento declara que se ficar desempregado está convencido que poderá arranjar trabalho com mais facilidade.
Mas os maiores ganhos são em literacia e no uso das novas tecnologias. Na verdade, o inquérito verifica que há uma melhoria generalizada das competências pessoais e sociais, cívicas e culturais. Comparativamente ao ano passado, este ano, intensificou-se o acesso dos indivíduos certificados que utilizam a Internet para uso pessoal e profissional – aumentou de 67 para 83 por cento -, e os “heavy users” subiram de 35 para 60 por cento.
Verifica-se ainda um aumento da procura do 12.º ano entre os que aderiram mais recententemente, em particular as pessoas que já estão empregadas, mas também domésticas. Também se nota uma procura por parte de casais, em especial do que é menos qualificado, nomeadamente quando se trata do homem. Por outro lado, quando um dos elementos do casal embarca na aventura da INO, existe a elevada probabilidade de o outro também aderir.
Também se verificam ganhos na auto-estima de quem frequenta o programa. Os adultos confessam que têm mais cultura geral e vontade de prosseguir os estudos. Assim como aumenta o sentimento de "segurança e de extroversão”.
No entanto, há sectores da população que ainda não aderiram, como os jovens menores de 30 anos e as mulheres com mais de 50, bem como os profissionais pouco qualificados que se mostram “mais “resilientes” a uma adesão espontânea” à INO. É preciso chegar a esses públicos, recomenda a equipa de avaliação externa, bem como ter uma maior diferenciação dos modelos de oferta. É também preciso chegar às pequenas e médias empresas que "têm dificuldade em integrar o capital humano", avança Roberto Carneiro.
Os adultos preferem aderir ao sistema RVCC porque este se adapta às suas condições pessoais. O segredo está no portefólio que lhes é pedido para construir . Cerca de 600 mil pessoas passaram por este sistema. No entanto, os Centros de Emprego estão a direccionar os desempregados para os Cursos de Educação e Formação (CEF) que acolheram cerca de 350 mil adultos, entre 2006 e 2010. Mais de 1,2 milhões de adultos estão envolvidos em processos de qualificação da INO. Destes, 34 por cento já estão certificados. É preciso continuar a apostar no alargamento do programa, considera o relatório.
Para os peritos internacionais, convidados pela ANQ para debater e propôr novas pistas para a avaliação externa, a INO é uma boa prática, um exemplo a seguir por outros países.

