Paralisação dos professores

Tutela lamenta “intransigência” dos sindicatos e considera greve “bastante inferior”

19.01.2009 - 14:17 Por Lusa, PÚBLICO

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De acordo com os sindicatos os números rondam os 90 por cento, apenas menos quatro por cento que em Dezembro De acordo com os sindicatos os números rondam os 90 por cento, apenas menos quatro por cento que em Dezembro (Fernando Veludo/NFACTOS)
O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, acredita que a greve de professores de hoje vai ter uma adesão "bastante inferior" à de Dezembro e acusa os sindicatos de "intransigência" ao promoverem uma paralisação quando estão agendadas negociações.

De acordo com o porta-voz da Plataforma dos Professores, Mário Nogueira, a greve de hoje está a ter uma adesão de cerca de 90 por cento, menos quatro por cento do que a última realizada a 3 de Dezembro (dados dos sindicados), mas assegura que o número ainda pode subir. "Não comento os números. O Ministério da Educação divulgará os números oficiais da greve", disse Valter Lemos, à margem da assinatura de um memorando de entendimento entre a Microsoft e o Ministério da Educação realizado, esta manhã, no Centro Cultural de Belém.

"Independentemente da adesão, que me parece bastante inferior à da última greve, lamento a posição intransigente dos sindicatos nessa matéria, apesar das condições que foram criadas", acrescentou o governante. Para Valter Lemos, "não há razão para esta greve", uma vez que "sobre as matérias que os sindicatos quiseram colocar em cima da mesa estão agendadas reuniões negociais". "Lamentamos que os sindicatos de professores se mantenham com aquele radicalismo e aquela intransigência que têm tido sempre, mas a verdade é que o processo (de avaliação) está a decorrer com normalidade", acrescentou.

Por enquanto, o único dado oficial diz respeito à região do Algarve, onde a direcção regional de Educação revelou que a adesão à greve às 10h30 era de 75 por cento, mais dez pontos percentuais do que na última paralisação.

Greve às aulas assistidas

Por seu lado, o secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, considerou que a greve às aulas assistidas, que vai decorrer a partir de amanhã e até 20 de Fevereiro, constitui um "puro boicote", sendo de "legalidade muito duvidosa" e prova de que “os sindicatos querem é que não haja nenhuma avaliação”.

Jorge Pedreira manifestou também "estranheza" quanto à continuação das acções de luta dos professores, porque o ministério da Educação, "o que fez em relação ao regime de avaliação de desempenho foi escutar, conversar com os parceiros identificar os problemas e as dificuldades e resolver essas dificuldades". O secretário de Estado realçou ainda que o ministério "aceitou abrir um processo negocial, com base num pedido dos sindicatos - não por interesse do próprio ministério -, com a agenda e as matérias que os sindicatos quiseram pôr em cima da mesa e com base nas próprias propostas dos sindicatos".

Além disso, Jorge Pedreira considera inaceitável permitir "um tratamento diferente dos professores face à generalidade dos trabalhadores da administração pública no que diz respeito à avaliação de desempenho".

Mário Nogueira voltou a apelar aos docentes para suspenderem o processo nas escolas e não entregarem os seus objectivos individuais, considerando "inaceitável no plano democrático as pressões e ameaças" da tutela para impor o modelo de avaliação.

Os professores voltaram hoje à greve, menos de dois meses depois da última paralisação nacional, a 3 de Dezembro, que contou com uma adesão que atingiu os 94 por cento, segundo os sindicatos, tendo chegado aos 66,7 por cento, de acordo com o ME.

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assim sim

Refere a notícia que Jorge Pedreira considera inaceitável permitir "um tratamento diferente dos ...

JOAQUIM FERREIRA

22.01.2009 17:15

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