Pais e alunos de escolas privadas com contratos de associação com o Estado concentraram-se hoje em Aveiro para protestar contra o corte do financiamento estatal e mostrarem ao Governo que não vão parar de lutar.
A informação foi dada à agência Lusa por Luís Marinho, do movimento SOS Educação, que acrescentou que pais e alunos fizeram hoje no Jardim do Rossio, em Aveiro, um SOS em moldura humana para assinalarem que não vão deixar de lutar pela reposição da situação naquelas escolas. Acrescentou que o encontro contou com a presença “de sete mil pessoas e teve um carácter muito popular, com várias pessoas a proferirem discursos e a intervirem em momentos culturais”.
Segundo Luís Marinho, a iniciativa realizou-se em Aveiro por ter sido nesta cidade que Cavaco Silva incentivou as famílias de alunos que frequentam escolas com contratos de associação a continuarem a sua luta. E também por a maioria das escolas com contrato de associação se concentrar no centro e no norte de Portugal, disse.
Além disso, o deputado Emídio Guerreiro, do PSD, denunciou a existência de um estudo que refere haver uma escola estatal em que cada aluno custa por ano 8300 euros, sublinhou.
Os pais e alunos presentes no encontro congratularam-se por esta semana PSD, CDS e PCP terem viabilizado a criação de um grupo de trabalho gerido pelo Tribunal de Contas com o objectivo deste elaborar um estudo sobre o verdadeiro custo da escola pública.
“O encontro deixou duas mensagens fortes: a de que os pais estão disponíveis para continuar a luta porque não vão desmobilizar e um apelo aos directores de escola que não concordem com o acordo assinado pela AEEP com o Ministério da Educação que saiam desta associação e fundem outra em que se revejam”, concluiu.
Luís Marinho aludia ao acordo estabelecido entre o Ministério da Educação e a Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) segundo o qual o Governo deixa de financiar 256 turmas de escolas do ensino particular ao abrigo dos contratos de associação.
O acordo estipula que, dos 91 estabelecimentos de ensino, 17 não perdem qualquer turma e 14 ficam sem o financiamento relativo a uma classe.
A partir do próximo ano lectivo, os contratos de associação com as escolas particulares são celebrados por um período de cinco anos, até nova avaliação das necessidades da rede pública.


