Sócrates nega acção de propaganda no arranque do ano lectivo

12.09.2007 - 17:33 Por Lusa, PUBLICO.PT
José Sócrates negou que o Governo esteja a aproveitar o início do ano lectivo para fazer propaganda e considerou que é obrigação do executivo estimular os professores. O primeiro-ministro respondia às acusações do líder do CDS-PP que esta manhã afirmou que as escolas são "um local de trabalho e não de comício".
O Governo marcou o arranque do ano escolar enviando 21 dos seus membros – o primeiro-ministro, sete ministros e 13 secretários de Estado – a várias escolas do país para a entrega de dois mil computadores portáteis a alunos e professores, uma iniciativa prevista no âmbito do Plano Tecnológico.
"É muito importante que os membros do Governo estejam presentes nas escolas para transmitir uma mensagem de estímulo e confiança", afirmou José Sócrates, considerando que é dever do executivo está apenas a cumprir o seu dever. “E quem cumpre o seu dever não está a fazer propaganda. A prioridade dada à Educação vê-se pela presença do Governo para assinalar este dia”.
Esta manhã, também durante uma deslocação a uma escola, em Alcabideche, Paulo Portas criticou a iniciativa do Governo, sustentando que “as escolas são lugar de trabalho, não são lugar nem de propaganda nem de comício”.
O líder do CDS-PP disse que é necessário discutir “ponto por ponto” os problemas e desafios do sistema educativo e considerou que, mais do que propaganda, o Governo deve apostar numa maioria para as escolas e em garantir às famílias liberdade de escolha do estabelecimento de ensino que querem para os seus filhos.
Ainda antes de Portas, a Fenprof acusou o executivo socialista de promover um "show mediático" em torno do início das aulas, ignorando que as mudanças introduzidas no sector agravaram as condições de trabalho das escolas e representam um desinvestimento no ensino.
Sócrates quer mais tecnologia nas escolas
Durante a manhã, José Sócrates foi à secundária Quinta do Marquês, em Oeiras, considerando o projecto de distribuição de computadores como "um dos mais emblemáticos do Plano Tecnológico" e "absolutamente fundamental para melhorar e modernizar o sistema de ensino".
"Muitos desvalorizam este programa, mas não sabem do que estão a falar. O sucesso educativo depende muito do convívio com as novas tecnologias e, por isso, o investimento tecnológico no parque escolar vai continuar. Com a adesão a este projecto, a escola não ficará igual", afirmou, salientando que cerca de 70 mil professores e alunos fizeram já a sua pré-inscrição para receber os portáteis.
Escolas com mais computadores, quadros interactivos e conteúdos digitais é um dos objectivos do plano de modernização tecnológica dos estabelecimentos de ensino, apresentado em Julho pela ministra da Educação e que representa um investimento superior a 400 milhões de euros.
No âmbito deste plano, todos os alunos inscritos no 10º ano poderão receber um portátil com ligação à Internet de banda larga, a custos que variam consoante os rendimentos do agregado familiar.

