Só 256 alunos estão inscritos por agora como autopropostos para os exames do 9.º ano

10.06.2010 - 10:16 Por Clara Viana
São apenas 256 os alunos do 3º ciclo que até agora se inscreveram como autopropostos aos exames nacionais do 9.º ano que se realizam este mês, segundo dados enviados ao PÚBLICO pelo Ministério da Educação. Os alunos nesta situação representam menos de 0,3 por cento do total de candidatos. Este ano estão inscritos para aquelas provas 96.042 alunos.
O número de autopropostos poderá, contudo, ainda subir depois das reuniões de avaliação do 3.º período, que decorrerão na próxima semana, uma vez que este ano, excepcionalmente, os alunos que forem chumbados pelos professores no 8.º ano também se poderão candidatar aos exames de Matemática e Língua Portuguesa do 9º. Em reacção a esta medida, aprovada em Fevereiro, mas que só agora está a gerar polémica pública, professores e directores de escolas têm adiantado que o número que beneficiará, na prática, com ela deverá ser "residual".
Alunos já com uma história de insucesso só muito dificilmente poderão realizar com êxito os exames de um ano que não frequentaram, argumentam. Para além dos exames nacionais, para concluir o 3.º ciclo terão que fazer provas de frequência a todas as outras disciplinas. Estas provas são realizadas pelas escolas.
Até agora, só os estudantes que já estavam a frequentar o ano final do 3.º ciclo, e se encontravam em risco de retenção, tinham a possibilidade de se autopropor a exame e tentar contornar assim um novo chumbo. Estes alunos podem continuar a apresentar-se como candidatos, mas para o fazer já tiveram que anular a matrícula até ao princípio do 3.º período. Ou seja, já não estão nas escolas. A maioria dos 256 alunos já inscritos como autopropostos para os exames do 9.º ano ou estão nesta situação ou vêm do ensino recorrente, embora neste grupo possam figurar ainda estudantes do 8.º com mais de 15 anos, que tenham também já anulado a matrícula.
Aos que fazem 15 anos até ao Verão foi dada possibilidade de esperar pela decisão final dos professores. Caso chumbem poderão tentar saltar um ano de escolaridade. Se voltarem a repetir o 8.º ano no próximo ano lectivo, ficarão abrangidos pelo novo limite da escolaridade obrigatória, devendo permanecer na escola até aos 18 anos.
Segundo o Ministério da Educação, ao criar-se "uma nova oportunidade" de avaliação está-se a permitir que concluam o tempo de escolaridade obrigatória no limite - 15 anos - que ainda estava em vigor, para eles, quando se inscreveram no 8º ano.

