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“Da indignação à exigência”

Sindicatos esperam cem mil professores na manifestação de sábado

06.11.2008 - 09:14 Por Lusa

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A Plataforma Sindical espera cem mil professores na manifestação de amanhã entre o Terreiro do Paço e o Marquês de Pombal. A faixa “Da indignação à exigência: deixem-nos ser professores” guiará o protesto. O modelo de avaliação não será esquecido.
A marcha de 8 de Março terá contado com a participação de cem mil professores A marcha de 8 de Março terá contado com a participação de cem mil professores (Nacho Doce/Reuters)

Mário Nogueira, porta-voz da plataforma que convocou o protesto, disse que amanhã o Ministério da Educação "vai ter a resposta que merece à forma como tem tratado a classe" e como “tem vindo a impor, com teimosia, este modelo de avaliação, que influencia negativamente o dia-a-dia das escolas, provocando instabilidade".

O responsável acredita que a iniciativa terá uma dimensão semelhante à registada a 8 de Março, que terá juntado cem mil professores, o que só será possível graças "à capacidade de uma classe unida".

A confiança do dirigente sindical, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), baseia-se também no número de autocarros que deverão chegar a Lisboa, vindos de todos os pontos do país. Adiantou que, por exemplo, só quatro sindicatos afectos à Fenprof já têm mais 94 autocarros previstos do que aqueles que foram alugados para a "Marcha da Indignação".

O protesto deverá complicar o trânsito em Lisboa, sobretudo na baixa e no trajecto da Avenida da Liberdade até ao Marquês de Pombal.

No entanto, a Plataforma admite que o percurso venha a ser novamente alterado, dadas as expectativas de adesão e a distância entre os dois locais.

No plenário de professores deverá ser aprovada uma moção com algumas exigências ao Governo: mudança de políticas educativas e, em concreto, suspensão da avaliação de desempenho, bem como um início rápido de uma negociação para alterar o modelo de avaliação, acrescentou.

"Não é possível um Governo deixar de retirar ilações políticas quando em menos de um ano tem dois protestos com mais de dois terços dos profissionais da classe", acrescentou Mário Nogueira.

Analistas alertam que protesto dos professores pode catalisar descontentamento social generalizado

A manifestação nacional de professores pode catalisar um descontentamento social generalizado, acarretando elevados riscos para o Governo, que se sentirá mais pressionado a alcançar acordos em ano eleitoral, defendem politólogos contactados pela Lusa.

Carlos Jalali, professor da Universidade de Aveiro, considera que professores e Governo têm algo a perder e a ganhar neste conflito: os docentes podem voltar a ter a opinião pública do seu lado mas, ao mesmo tempo, podem ser acusados de "uma pressão oportunista para alcançar benefícios num contexto em que toda a gente sofre".

"Por outro lado, o PS e o Governo querem renovar a maioria absoluta e para isso têm de evitar descontentamentos sociais. Mas, ao ceder, o Executivo perde a imagem de autoridade que tem junto do seu eleitorado. É um equilíbrio complicado", acrescentou.

A opinião é partilhada por Marina Costa Lobo, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. "As forças sociais interessadas em extrair benefícios deste Governo devem fazê-lo agora e até às eleições".

De acordo com o sociólogo André Freire, os efeitos para os professores e para o Governo deste braço-de-ferro dependem do nível de adesão dos docentes no próximo sábado. No caso dos professores, acrescenta, tudo depende da capacidade de passar a mensagem de que querem ser avaliados, mas com um modelo alternativo.

"Se a manifestação for muito participada como em Março, porque a fasquia está muito elevada, e se essa mensagem for bem passada, a bola passa para a capacidade e nível de abertura do Governo para negociar alterações no sistema de avaliação", afirmou.

"É importante distinguir entre questões financeiras, onde claramente parece agora haver margem de manobra, e questões de opção política, tal como a avaliação de professores. No que diz respeito aos docentes, a anterior tentativa de forçar o Governo a recuar nesta matéria deu frutos, pelo que com certeza deverão insistir", afirma Marina Costa Lobo.

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Juntem-se os alunos à manifestação também!

FF

07.11.2008 23:56

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