O líder parlamentar do PSD, Pedro Santana Lopes, criticou hoje a política de educação "laxista" do Governo socialista, aconselhando o primeiro-ministro a não querer ser "como o homem da Regisconta: uma máquina".
"O senhor primeiro-ministro não pode querer ser o homem da Regisconta, que é uma máquina. A Regisconta até faliu...", afirmou o deputado, que foi confrontado por José Sócrates com posições diferentes de dirigentes do PSD, incluindo o líder, Luís Filipe Menezes, e do próprio Santana Lopes, quanto ao regime de gestão da escola.
No último debate mensal do ano no Parlamento, o líder parlamentar social-democrata deu como exemplo o programa de formação Novas Oportunidades por ser possível, a alguém com mais de 18 anos, "obter em três meses" um grau escolar - o 9.º ano por exemplo - que "os filhos dos portugueses só conseguem em três anos". "Que sinais são os que estamos a dar aos nossos jovens? É o facilitismo", acusou Santana Lopes.
O primeiro-ministro confrontou a bancada do PSD com as várias posições dos dirigentes do partido sobre as propostas quanto ao regime de gestão da escola. Sócrates leu o artigo 19.º de um projecto de lei social-democrata que prevê a escolha do director da escola por "concurso público" - e não através de um órgão da escola como propõe o Governo -, proposta que mereceu de Luís Filipe Menezes o rótulo de "absurda".
"Queremos saber qual é a posição do PSD. O projecto do PSD de Marques Mendes? Ou é a posição do líder?", questionou Sócrates.
Santana Lopes desvalorizou a questão, afirmando que "a diferença não é vital" entre os projectos do PSD e o anunciado pelo Executivo, e apelou a Sócrates a não falar tanto do passado e discutir "o Portugal de hoje". "Estamos a falar do Portugal de hoje, a julgar a actuação do Governo hoje", afirmou.
O PSD distribuiu uma cópia do projecto de lei sobre a gestão da escola para contrariar a ideia, repetida por José Sócrates, que o director da escola ser escolhido por "concurso público". No artigo 19.º do projecto social-democrata prevê que "a selecção do director da escola efectua-se mediante concurso".
Sem fugir ao tema do debate - a educação -, Santana Lopes lembrou a mensagem de Ano Novo do Presidente da República, Cavaco Silva, no primeiro dia do ano, em que pediu resultados ao Governo, nomeadamente na educação. "O senhor Presidente da República pediu resultados e penso que não foram estes. Penso que o senhor Presidente não queria esta linha facilitismo", disse.
Santana Lopes deu como exemplos os "maus resultados" de Portugal nos "rankings" quanto à Matemática ou o Português.


