Reitores dizem que restrições orçamentais poderão afectar Contrato de Confiança

14.01.2011 - 17:17 Por Lusa
O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas admitiu hoje que as restrições orçamentais, devido à crise, terão consequências difíceis de prever, que poderão vir a afectar as actividades planeadas pelas instituições, no âmbito do Contrato de Confiança.
Questionado pela Lusa sobre o Contrato de Confiança estabelecido há um ano entre o Governo e as instituições de Ensino Superior, António Rendas recordou que o ano passado correspondeu a um período de preparação dos programas de desenvolvimento de cada instituição, num contexto de “grave crise financeira”, com as consequentes restrições orçamentais.
“Tudo indica que esta situação se irá manter ao longo de 2011, com consequências difíceis de prever e que poderão vir a influenciar as actividades planeadas”, afirmou o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) em resposta escrita.
Mesmo assim, referiu, “os resultados alcançados em 2010 revelam a boa performance das universidades no concurso nacional de acesso ao ensino superior”.
A oferta de vagas em regime pós-laboral foi reforçada e atingiu “uma taxa de sucesso no preenchimento de cerca de 60 por cento”. António Rendas vê uma tendência positiva que “poderá ser melhorada ao longo dos próximos três anos”.
No âmbito do Contrato de Confiança foram ainda elaborados os termos de referência para o Grupo de Acompanhamento dos Programas de Desenvolvimento, em colaboração com o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) e organizado o 1.º Encontro Ibérico sobre Transferência de Tecnologia, com a Conferência dos Reitores das Universidades Espanholas, e reforçada a colaboração com a rede UTEN (University Technology Enterprise NetWork), que envolve todos os gabinetes das universidades portuguesas desta área.
António Rendas sublinhou ainda, no contexto internacional, as parcerias com instituições norte-americanas Austin, Carnegie Mellon e IMT: “As universidades portuguesas participaram em 28 mestrados Erasmus Mundus, dos quais coordenaram cinco, e em sete doutoramentos Erasmus Mundus”.
Estas 35 pós-graduações europeias “mobilizam 11 universidades portuguesas, integrando cerca de 90 universidades europeias e cerca de uma dezena de universidades fora da Europa”, acrescentou.
As principais acções a desenvolver este ano passam por reforçar a estrutura organizacional do CRUP, tendo em vista uma maior eficácia na coordenação do sistema universitário, e por uma melhor articulação com a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), indicou António Rendas.
O reitor da Universidade Nova de Lisboa acrescentou igualmente neste plano um aprofundamento do esforço de racionalização da oferta de segundos e terceiros ciclos de estudos, promovendo a oferta de ciclos de estudos em associação.
Na sequência do encontro de responsáveis de instituições de ensino superior do passado fim-de-semana, nos Açores, o CRUP apresentou a recomendação relativa às regras para creditação, com grau de mestre, para as formações pré-Bolonha.
O Contrato de Confiança prevê, no caso das universidades públicas, um aumento de cerca de 60 mil diplomados em quatro anos.

