Reitor da Universidade de Lisboa saúda programa do Governo, mas lamenta burocracia

18.11.2009 - 16:16 Por Lusa
O reitor da Universidade de Lisboa regozijou-se hoje com a intenção do Governo de estabelecer um "contrato de confiança" com o Ensino Superior e assegurar o financiamento directo necessário às instituições, mas criticou a "burocracia" imposta às universidades.
"O Governo conta com a adesão incondicional da Universidade de Lisboa para este contrato de confiança, no quadro de um programa de financiamento plurianual idêntico ao que celebrou com as instituições científicas e com as universidades que se transformaram em fundações", declarou António Sampaio da Nóvoa durante cerimónia de abertura do ano académico.
Além do problema do financiamento, que tem vindo a ser denunciado pelos responsáveis das instituições, o reitor referiu também uma situação vivida nos últimos anos que classificou de "quase insuportável", devido à "permanente adaptação" a novas regras, leis e regulamentos.
A partir de 2006, recordou, as universidades envolveram-se nas "mil adaptações exigidas pelo Processo de Bolonha", seguindo-se o novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (REJIES), que obrigou a "rever estatutos e mais estatutos, a fazer eleições e mais eleições, num processo sem fim".
"Agora acabámos de receber a notícia de que a nova Agência de Avaliação e Acreditação quer proceder em poucos meses à acreditação de todos os cursos, existentes e a criar, numa precipitação que vai consumir grande parte das nossas energias deste ano", afirmou.
As alterações ao estatuto da carreira docente, desde Setembro, obrigam também à aprovação de "uma dezena de novos regulamentos, num processo difícil e de inevitável conflitualidade", disse.
Pelo caminho, prosseguiu, as universidades têm - como outras instituições públicas - o SIADAP (Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública), "as auditorias normais e as extraordinárias (este ano foram quatro) e as inspecções normais e as extraordinárias (só este ano foram seis)".
Além disso, as universidades têm que elaborar planos estratégicos de médio prazo, plano de acção do reitor, planos anuais, relatórios anuais de actividades e relatório anual de contas e "por aí adiante numa intensificação do nosso trabalho que parece afastar-nos do essencial", desabafou António Sampaio da Nóvoa.
Para o reitor, o problema prende-se com "visões gestionárias, que introduziram novas formas de burocracia ainda mais paralisantes do que as anteriores".
"O contrato de confiança que desejamos há-de constituir também uma nova respiração, um novo sopro de vida para as universidades", sublinhou, num discurso que começou com um aviso: "Precisamos de oxigénio".

