Reacções: Menezes exige que Governo esclareça se ordenou deslocações da PSP a escolas

07.03.2008 - 11:12 Por Lusa
O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, exigiu que o Governo esclareça se ordenou as deslocações de agentes da PSP a escolas para saber quantos professores vão participar na manifestação de sábado em Lisboa.
Interrogado sobre as deslocações da PSP a escolas, no final de um jantar com professores sociais-democratas em Lisboa, Luís Filipe Menezes ressalvou que o PSD vai "apurar se realmente se confirmam estas atitudes, o que é que as enquadrou, o que é que as justifica". Entretanto, o PSD vai "pelo menos começar por pedir que o senhor ministro da Administração Interna esclareça se tem alguma coisa a ver com isto, se as iniciativas decorreram de directivas emanadas do seu Ministério ou do poder político ou se são iniciativas espontâneas de algumas estruturas que estejam descoordenadas", declarou.
"De uma forma ou de outra, isto mimetiza um pouco a atitude do próprio primeiro-ministro que sempre que vê uma manifestação acusa logo os manifestantes de serem todos comunistas ou revolucionários", considerou. A confirmar-se, é "uma situação completamente caricata e aberrante", "inadmissível" e "que merece eventualmente posições políticas bem mais duras no âmbito parlamentar", acrescentou o presidente do PSD.
Menezes enquadrou esta notícia numa "situação grave do ponto de vista de direitos, liberdades e garantias" que diz existir em Portugal, "própria de outro tipo de democracias, onde os presidentes e os primeiros-ministros falam horas seguidas ao País por semana".
PP considera normal que PSP obtenha informações sobre manifestação de professores
O secretário-geral do CDS/PP, João Almeida, considerou hoje normal que a PSP obtenha informações sobre o número de professores que sábado protestam em Lisboa, defendendo que a segurança das pessoas que vão participar tem de ser assegurada.
João Almeida defendeu que deve haver bom senso por parte das pessoas que contestam. "As pessoas têm direito a manifestar-se e neste caso é uma manifestação que representa uma luta muito importante para os professores que contestam e que mostra bem o sentimento dos docentes em relação às medidas governamentais", disse João Almeida.
Apesar de considerar que esta situação não é uma "manobra intimidatória", o secretário-geral do CDS/PP salientou que o direito à manifestação não deve ser posto em causa e por isso apela "ao bom senso e à calma de todos". "Os professores só têm a ganhar em manter a calma. Não concordo com confrontações", frisou João Almeida.
Jerónimo de Sousa Considera que PSP "não age por conta própria"
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, comentou hoje que a Direcção Nacional da PSP "não age por conta própria" ao tentar saber o número de professores que vão participar sábado na manifestação de Lisboa.
"O comando não age de conta própria, acho eu, creio que essa vigilância tem um conteúdo securitário que não se justifica", disse hoje Jerónimo de Sousa, à porta do Hospital de S. José em Lisboa onde se deslocou para uma acção no âmbito da comemoração do Dia Internacional da Mulher, que se assinala sábado.
O secretário-geral do PCP não percebe a razão pela qual a PSP está preocupada com os manifestantes, tento "tantas coisas com que se tem de preocupar". "É um mau sinal, é um sinal dos tempos e é um tique a que o Governo já nos habituou", referiu.
Sobre a manifestação dos professores de sábado, Jerónimo de Sousa está convencido que será uma "facto histórico" dado que será, em seu entender, a "maior manifestação da comunidade educativa".
Ainda sobre a política educativa, o líder do PCP considerou que o Governo está a levar de uma forma "teimosa" uma reforma, contra a qual está toda a comunidade educativa.
"Este Governo e o primeiro-ministro deviam parar, reflectir e alterar a política" no sector da educação, afirmou.
BE considera actuação da PSP "preocupante" e exige explicações do Governo

