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Educação

Quatro perguntas a Isabel Alçada

09.01.2010 - 10:35 Por Clara Viana

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Negociou o acordo com autonomia mas sem nunca deixar de sentir o apoio do primeiro-ministro. Durante 14 horas, entre quinta e sexta-feira, a ministra Isabel Alçada negociou com 14 sindicatos, reunidos, em simultâneo, em quatro pisos do Ministério da Educação. Sobreviveu. Ser avó, diz a ministra da Educação nesta pequena entrevista feita por e-mail, foi uma ajuda importante.

Por que razão se tornou tão indispensável obter um acordo ontem, justificando a longa maratona e o tudo-por-tudo que se viveu? Qual foi o momento-chave que permitiu desbloquear as negociações?

Porque era importante e considerei urgente devolver a serenidade às escolas para que todos se possam melhor concentrar no que é essencial: a aprendizagem dos alunos.

A sua antiga experiência como sindicalista, que participou em negociações com o Governo, foi-lhe útil nesta longa jornada?

Toda a experiência é útil. O meu trabalho no sindicato foi há muito tempo e nunca participei neste tipo de negociações.

Que indicações e metas recebeu do primeiro-ministro para negociar este acordo? Teve a autonomia que desejou?

Tenho autonomia e sinto-me muito apoiada pelo primeiro-ministro e pelo Governo no exercício das minhas funções.

Como conseguiu resistir ao longo do dia de ontem e chegar de madrugada sem quase sinais visíveis de cansaço?

Quem trabalha em Educação, e sobretudo quando se é avó, sabe-se dosear o esforço, aproveitar os mais breves momentos de pausa para recuperar e usar toda a energia para chegar a bons resultados.

"Não era possível manter este clima", diz secretário de Estado

Quem cedeu mais? O secretário de Estado da Educação, Alexandre Ventura que, com Isabel Alçada, conduziu as negociações com os sindicatos, recusa a abordagem.

"Combates, cedências são jargões que não contribuem para resolver os problemas", disse ao PÚBLICO: "O que aconteceu, na quinta-feira, foi um processo de aproximação conjunta, de articulação de esforços de todas as partes".

Admite, contudo, que o dia foi vivido em estado de "urgência": "Toda a gente, no país, que tem a ver com a educação sentia que não era possível manter por mais tempo este clima, que era necessário virar a página e olhar em frente".

Diz que do acordo alcançado resultará "uma melhor carreira para os docentes e um modelo de avaliação mais aproximado das escolas e da cultura dos professores portugueses". Os docentes ficarão mais satisfeitos e isso irá reflectir-se necessariamente "na qualidade das aprendizagens dos alunos". "É este o nosso objectivo fundamental".

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