“Qualidade de ensino do Espanhol comprometida durante décadas”

18.06.2009 - 20:57 Por Graça Barbosa Ribeiro
A direcção da Associação Portuguesa de Professores de Espanhol /Língua Estrangeira (APPELE) avisou hoje que “a qualidade de ensino” daquela língua “estará comprometida durante várias décadas” se o Ministério da Educação não corrigir a situação criada pela portaria relativa aos concursos para colocação de professores daquele grupo. Isto porque, alerta, de acordo com as listas provisórias de ordenação, ontem conhecidas, nos 220 primeiros lugares da lista, correspondentes às vagas para efectivação nas escolas públicas, há 104 candidatos que não são profissionalizados em Espanhol.
A APPELE junta-se, assim, à Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL) que, depois de uma primeira reacção no mesmo sentido, ontem, avisou hoje que já apresentou Tribunal Administrativo uma acção administrativa especial contra o ME e que “avançará, agora, com tantas outras acções quanto o número de docentes prejudicados” que queiram recorrer aos serviços de apoio jurídico da associação sindical.
As duas associações sublinham que o ME não tinha razão quando, alegando carência de professores de Espanhol, permitiu que este ano concorressem em igualdade de circunstâncias docentes com qualificação profissional numa qualquer outra Língua Estrangeira ou em Português (desde que tivessem variante de Espanhol ou, em alternativa, o Diploma Espanhol de Língua Estrangeira de nível superior do Instituto Cervantes). Isto porque, apontam em comunicados distintos, os professores profissionalizados em Espanhol concorreram em número suficiente para ocupar as vagas para efectivação. E só foram ultrapassados, frisam, por terem menos tempo de serviço.
A ASPL apela a todos os docentes do grupo de Espanhol que se sintam lesados para que “não se resignem e procurem o devido apoio junto dos seus sindicatos”; a APPELE avisa que “não aceitará esta graduação de candidatos como definitiva” e que continuará a exigir que “seja feita justiça neste concurso”.
Na parte final do comunicado, a associação profissional faz ainda alusão à existência de candidatos que, apesar de não reunirem as condições previstas na portaria, viram as suas candidaturas validadas. Neste contexto, apela aos associados para que denunciem os casos que “indevidamente” constam da lista de admitidos.
Desde ontem que o PÚBLICO aguarda uma reacção do ME às críticas da ASPL, que a APPELE hoje vem reforçar.

