O PSD pode deixar cair a palavra suspensão do seu projecto de resolução sobre a carreira e a avaliação dos professores, o que vai ao encontro do que sempre defendeu o Governo e a maioria PS. O PÚBLICO sabe que o PS pode estar tentado a negociar com o PSD a aprovação do seu projecto, por entender que a solução dos sociais-democratas é a mais moderada de todas a discutir na próxima semana.
O deputado do PSD Pedro Duarte admitiu ontem ao PÚBLICO que a bancada "não faz finca-pé" na suspensão da avaliação, se o Governo estiver disposto a aplicar um novo modelo. "Isso é que é importante, mais do que os ganhos políticos de dizermos que conseguimos a suspensão", disse Pedro Duarte, acrescentando que o PSD também "nunca defendeu um vazio legal". O PSD será assim a excepção na oposição: todos os partidos que apresentaram projectos prevêem a suspensão do modelo. Até o projecto de resolução do CDS, apesar de só ter força legal de recomendação ao Governo.
A questão da não-suspensão do actual modelo foi sempre a condição imposta pelo Governo como ponto de partida na resolução do impasse na educação. No debate do Programa de Governo, Sócrates afastou a hipótese de se suspender o esquema actual como pretendem todas as bancadas da oposição. Sócrates interrogou-se sobre o que é que aconteceria aos mais de 49 mil professores já avaliados. A essa preocupação, o CDS-PP respondeu com a proposta da criação de uma comissão jurídica para avaliar esses casos, organismo que está incluído no seu projecto de resolução.
Ainda ontem o líder parlamentar do PS, Francisco Assis, sublinhou que a suspensão do modelo de avaliação dos docentes "não resolve nada e seria uma injustiça em relação ao mundo dos professores". "O Governo está disponível para negociar alterações no modelo de avaliação, sem anularmos todo o trabalho e esforço que foi feito. E acho que os grupos parlamentares compreendem isso", afirmou, em declarações à TSF.
A insistência dos socialistas na não-suspensão parece que terá eco na bancada do PSD, ao deixar cair a suspensão do modelo como defenderam até agora. Ainda na semana passada, o líder da bancada do PSD, Aguiar-Branco, propôs a suspensão do actual modelo e o fim da divisão da carreira entre titular e não-titular como dois objectivos a alcançar neste processo. Na próxima terça-feira, o PCP vai promover uma audição pública sobre educação, onde participarão sindicatos e movimentos de professores.
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