Desde que começam a frequentar a escola até ao 12.º ano, as crianças e jovens portugueses vão passar a poder treinar e aprofundar a aprendizagem da língua através de um novo sistema: jogos interactivos nas áreas da gramática e da escrita que, no final, serão corrigidos e avaliados, acompanhados com treino da leitura com materiais incluídos numa biblioteca virtual.
Além da consulta de obras de leitura obrigatória como "A Relíquia", de Eça de Queirós, ou "Frei Luís de Sousa", de Almeida Garrett, em formato electrónico, os alunos podem aceder a entrevistas, textos autobiográficos, relatos de viagens, relatórios ou textos científicos. Iniciativa do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, espaço de promoção do português na Internet fundado pelos jornalistas José Mário Costa e João Carreira Bom (já falecido), este projecto já mereceu a luz verde do Ministério da Educação, que destacou dois professores para apoiar a equipa.
O Ciberdúvidas, que conta com 2,5 milhões de visitas mensais, passa assim a ter uma nova valência de ensino à distância que se junta à principal, um consultório linguístico com um arquivo de 30 mil respostas a dúvidas sobre a língua portuguesa.
O novo projecto ainda em gestação, deverá começar a ser apresentado nas escolas dos principais centros urbanos (Lisboa e Porto) em meados do próximo ano lectivo. Entre as várias vantagens, conta-se a de proporcionar uma maior colaboração dos pais no processo de aprendizagem dos filhos, em fóruns da língua portuguesa, considera José Manuel Matias, coordenador do Ciberdúvidas, vice-presidente da Sociedade de Língua Portuguesa (SLP) e também um dos responsáveis por esta plataforma de apoio ao ensino da língua. O objectivo é "disponibilizar gratuitamente materiais que contribuam para o ensino e para a aprendizagem do Português", diz, notando que "é uma mais-valia para a aprendizagem" e para o "desenvolvimento de competências de que os alunos precisam".
Abranger PALOP e Timor
Numa segunda fase, conforme explica José Mário Costa, este projecto estender-se-á aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e a Timor, onde poderá mesmo transformar-se numa alternativa à escola.
Em Portugal, funcionará, sobretudo, como um "complemento do ensino" ministrado nas escolas, esclarece a coordenadora científica do projecto, Ana Martins, que contará com a colaboração de dez linguístas.
Além de um acesso aos conteúdos "universal e gratuito", este sistema possibilita a aquisição de recursos independentemente das editoras escolares. Segundo Ana Martins, o seu uso poderá ser feito tanto autonomamente pelo aluno, como com o acompanhamento do professor.
Valter Lemos, secretário de Estado da Educação, saúda a possibilidade de "alargamento" do ensino da língua portuguesa aberta por este projecto, "tanto em Portugal como no estrangeiro a todos os níveis de escolaridade". Através dele, classificado pelo secretário de Estado como "um instrumento muito importante", vai tornar-se possível aceder a todos esses recursos educativos "para uma prestação de serviços alargada". Salienta, contudo, que este método não deverá substituir-se à escola, visto que esta proporciona "o contacto presencial indispensável" e a "formação para a cidadania".


