Os sindicatos de professores garantiram hoje que serão lançadas novas formas de luta, caso o Ministério da Educação continua a demonstrar “inflexibilidade negocial" na proposta do Estatuto da Carreira Docente (ECD). No último de dois dias de greve, estruturas sindicais e tutela voltaram a divergir na taxa de adesão à paralisação.
As federações sindicais de professores indicaram uma a adesão de 80 por cento ao dia de greve nacional cumprido hoje (ontem a participação foi situada em mais de 85 por cento), que consideram ser uma "resposta histórica" dos docentes.
"A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) considera que esta é uma resposta histórica da parte dos docentes e que, perante este largo descontentamento demonstrado publicamente, o Ministério da Educação não tem outra solução que não seja abdicar da sua inflexibilidade negocial", refere a federação, em comunicado.
Já o Ministério da Educação avançou taxas de adesão bastante inferiores, de 39 por cento ontem e de 32 por cento hoje, a nível nacional.
A greve nacional foi decretada conjuntamente pelos 14 sindicatos do sector da Educação a 5 de Outubro, Dia Mundial do Professor, durante a marcha nacional de protesto, que reuniu em Lisboa mais de 20 mil docentes.
Esta foi a segunda paralisação nacional convocada para contestar a proposta do ECD, depois da greve de 14 de Junho, que contou com uma adesão de 70 a 80 por cento, de acordo com a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), e inferior a 30 por cento, segundo o gabinete da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
A divisão da carreira em duas categorias (professor e professor titular), a imposição de quotas para aceder à mais elevada e o modelo de avaliação de desempenho que inclui critérios como a apreciação dos pais e as taxas de abandono e insucesso escolar dos alunos são alguns dos aspectos mais criticados pelas organizações sindicais.
"Caso o ME não recue nas suas propostas, naquilo que é essencial (...), o movimento sindical docente aprovará novas formas de luta que levará por diante", ameaça a Fenprof.
Os 14 sindicatos reúnem-se amanhã com a tutela, num encontro onde o ministério deverá apresentar a quarta e última versão da sua proposta de revisão do ECD, cujas alterações quer aprovar até ao final do mês.


