Inquérito a protagonistas da contestação docente

Professores: não perderam exactamente, mas também não ganharam

30.05.2009 - 07:48 Por Clara Viana

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Com o ano lectivo a chegar ao fim, os professores voltam hoje à rua Com o ano lectivo a chegar ao fim, os professores voltam hoje à rua (Nacho Doce)
Nos últimos dias, Eduarda Luz, professora da Escola Secundária Eça de Queiroz, voltou a gastar uma parte importante do seu tempo a tentar mobilizar os colegas para a manifestação de hoje em Lisboa, a terceira nacional contra o novo Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação de desempenho dele decorrente, e onde Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional de Professores, espera que venham a participar cerca de 50 mil.

Para garantir a presença de “muitos” nos protestos anteriores, ela deitou mão aos poetas. Alexandre O’Neil: “o medo vai ter tudo”. Miguel Torga: a minha teimosia “é quebrar dia a dia/ um grilhão da corrente “. Mas agora as correntes de poemas, enviadas por e-mail, ficaram pelo caminho. E não foi só isso que mudou: “Na minha escola, os professores, devido a pressões e com medo, foram cedendo. Entreguei os Objectivos Individuais (OI) e uma declaração mostrando o meu repúdio por este tipo de avaliação, porque não tive coragem para assumir o risco de, com um “processo disciplinar", não progredir na carreira”.

Depois de centenas de moções e de milhares de assinaturas contra, a maioria dos professores acabou por “acatar” a avaliação proposta e entregar os Objectivos Individuais, uma das primeiras etapas do processo, segundo o ME. Fizeram-no cerca de 80 mil, anunciou a ministra Maria de Lurdes Rodrigues numa entrevista à Lusa. O que também significa que cerca de 60 mil não entregaram.

Existe culpa entre muitos dos que entregaram e ressentimento entre muitos dos que recusaram. “Foi tenebroso ver a angústia dos colegas, agindo contra a sua consciência, mas pressionados pelo medo. Não me recordo de ter assistido a tamanho melodrama na escola”, testemunha Ilídio Trindade, responsável do MUP, um dos movimentos independentes de professores que surgiram no último ano.

O limbo

O que se viveu nas escolas foi uma experiência fracturante, que abriu feridas duradouras. É uma das causas do estado de espírito particular com que chegam ao final de mais um ano lectivo: tristes, cansados, amargurados. É assim que estão muitos dos professores que vão sair hoje à rua em Lisboa.

Quando se decidiram insurgir, no início de 2008, não previam que os seus protestos iam bater recordes. Como também não poderiam supor, quando atingiram este feito, que iriam estar onde estão hoje, numa espécie de limbo. Não perderam exactamente, mas também não ganharam.

Em Janeiro passado, foi promulgada uma simplificação do modelo de avaliação, aprovado um ano antes. Através desta operação, o Ministério da Educação expurgou temporariamente alguns dos aspectos mais polémicos, como a contribuição dos resultados dos alunos para a avaliação dos docentes ou a observação obrigatória de pelo menos três aulas dadas por cada professor avaliado.

Mas apesar de terem estado 120 mil na rua em Novembro passado (no total, os professores serão cerca de 140 mil), de cerca de 94 por cento da classe ter aderido a uma greve um mês depois, o ME manteve a divisão da carreira docente em duas categorias, conforme estipulado no ECD, e não suspendeu a avaliação, como exigiam. A simplificação em vigor pode ser substituída a prazo pelo modelo original, os professores que recusarem a avaliação vão perder dois anos de progressão na carreira e só uma parte da classe poderá ascender aos escalões mais altos.

Entre os movimentos independentes e os bloguistas, a decepção passa também pelo sentimento de uma ruptura adiada. Têm por certo que “mudaram o quadro de acção da luta dos professores”, que se lhes deve não tivesse “morrido”. Mas no fim e pelo meio foi a “lógica sindical” que acabou por se impor, constatam.

O PÚBLICO fez um inquérito a alguns dos protagonistas deste último ano. Nove responderam. Seguem-se as respostas, na íntegra:

O que mudou com os movimentos independentes

O surgimento e acção dos movimentos independentes de professores mudou a luta destes? Porquê? Como? Ou foram os sindicatos que “venceram”?

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censura? De novo?ou sempre houve?vergonha

Os censores são para o burro, jántigamente eram. Que mal fazem à sociedade!

Lina

30.05.2009 22:03

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