A Associação de Professores de Geografia (APG) considerou hoje positiva a proposta de revisão curricular do Governo porque vai permitir aumentar a carga horária da disciplina no 3.º Ciclo.
A associação afirma que a medida é fundamental, pela importância dos conhecimentos geográficos, em si, e pelo rigor no ensino, mas também porque vai “permitir que deixem de existir professores a leccionar 11 turmas e com mais de 300 alunos”.
“Esta reforma vai permitir que Geografia tenha três tempos lectivos no 7.º e/ou no 8.º ano e três tempos lectivos no 9.ºano”, ficando a distribuição a cargo das escolas, sublinha a APG, em comunicado.
A APG considera esta alteração fundamental para que a avaliação dos conhecimentos dos alunos através de testes intermédios seja mais justa e equitativa, “ao contrário do que aconteceu no ano lectivo anterior”, em que a disciplina “tanto podia ter seis ou sete tempos de 45 minutos em todo o 3.º ciclo”.
Tal como os professores de História, também os docentes de Geografia saúdam a manutenção da autonomia das disciplinas no currículo do ensino básico.
Apesar de considerar positivas as medidas preconizadas, a APG mantém a preocupação quanto a uma questão antiga relacionada com conceitos estruturantes da Geografia, em geral, e da Geografia de Portugal, em particular no 2.º Ciclo, uma vez que “nunca foi reconhecida habilitação própria aos professores de Geografia para leccionar a disciplina de História e Geografia de Portugal”.
O Governo pretende, com esta revisão, reforçar a carga horária das disciplinas fundamentais.
O corte de outras disciplinas, mais recentes, é vista pelos sindicatos como uma forma de poupar dinheiro, dispensando professores.
O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, garantiu na segunda-feira, durante a apresentação das suas propostas, que a revisão curricular proposta pelo Governo não foi feita “a olhar para o orçamento”, mas para conseguir “um melhor ensino”, reduzindo a carga horária em vários anos.


