Presidente dos reitores diz que Portugal ficará muito diminuído na Europa com cortes previstos

21.10.2011 - 16:53 Por Lusa
O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) defendeu hoje que Portugal perderá competitividade e ficará numa posição “muito diminuída”, a nível europeu, caso de concretizem os cortes previstos na proposta de orçamento para 2012.
“Até esta data estamos numa posição muito boa do ponto de vista dos indicadores europeus de qualificação e do financiamento do Ensino Superior, mas estou muito preocupado. Se estes cortes se mantiverem, Portugal poderá ficar numa posição muito diminuída em comparação com os estados europeus e perder toda a sua capacidade competitiva a nível europeu”, disse António Rendas à agência Lusa.
O reitor da Universidade Nova de Lisboa falava, a partir de Bruxelas, onde se encontra a representar o CRUP na conferência anual da Associação Europeia das Universidades destinada a discutir temas fundamentais como o próximo programa de financiamento da Comissão Europeia para o sector e as metas de 2020.
Segundo António Rendas, o Ensino Superior está “no topo” da agenda europeia, mas em Portugal fazem-se cortes “de uma forma pouco muito pouco aberta” e com “muito pouca informação” da tutela aos responsáveis das universidades.
“Verifico com muita pena que, neste momento, o Ensino Superior em Portugal não está no topo da agenda e além disso o orçamento de 2012, se for aprovado, vai trazer enormes limitações à autonomia das universidades, que se têm comportado de uma forma muito digna para contribuir para o melhoramento do país”, lamentou.
O reitor sublinhou que diminuir o financiamento do Ensino Superior irá “contra tudo aquilo que é a política que a União Europeia fará” nos próximos anos.
“As universidades portuguesas continuam inteiramente disponíveis para ter essa atitude de diálogo e de responder aos desafios. Estão conscientes de que o país está a viver um período muito difícil e têm sido das instituições que têm contribuído mais para que o país continue competitivo e qualificado”, disse.
Rendas frisou que as universidades “não têm nenhum problema nem de dívidas, nem de gestão financeira”.
Mas, se as instituições não tiverem capacidade para continuar a competir, Portugal, “como país, ao nível da União Europeia ficará muito prejudicado”.
António Rendas lamentou ainda que o CRUP não tenha sido ouvido para a elaboração do orçamento e que a tutela não tenha apresentado o documento previamente aos reitores.
O órgão de cúpula das universidades portuguesas está ainda a analisar os detalhes da proposta do Governo e deverá tomar posição na próxima semana sobre os vários aspectos do documento, nomeadamente eventuais alterações ao regime jurídico das universidades que colidam com a autonomia das instituições, em termos de enquadramento legal.
Nas dotações específicas, verifica-se que o Ensino Superior e a Acção Social levam o maior corte, de 1.140 milhões de euros para 917,4 milhões de euros (menos 19,5 por cento).

