Presidente da República diz que país deve ir mais longe na educação e formação

16.10.2009 - 20:02 Por Lusa
O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou hoje que Portugal precisa de “ir muito mais longe na qualidade e competitividade” da educação e formação, apontando uma “significativa desvantagem” do país, a nível europeu, quanto ao conhecimento e qualificações.
Cavaco Silva, que participou esta tarde na cerimónia comemorativa do centésimo aniversário do Liceu Camões, em Lisboa, referiu que “é no campo do conhecimento e das qualificações que Portugal tem ainda uma significativa desvantagem em relação aos outros países da Europa”.
O Presidente destacou os “progressos notáveis” das últimas décadas na generalização do ensino obrigatório, na redução do abandono escolar e nos níveis de frequência das universidades, mas sublinhou que falta ao país “ir muito mais longe na qualidade e na competitividade” dos sistemas de educação e formação, “tendo em conta os padrões europeus” com o Portugal se compara.
Nos dias de hoje, destacou, “completar o ensino secundário e avançar o mais possível nos estudos é uma questão de justiça social”.
“Passou-se de uma escola selectiva para uma escola inclusiva”, que, acrescentou, “tem de ter lugar para os melhores, que devem poder expandir as suas capacidades, mas tem igualmente que saber acolher, apoiar e desenvolver todos os que aí chegam com menos potencial, seja por razões de natureza individual, seja por condições sociais ou familiares desfavoráveis”.
Cavaco Silva destacou ainda o papel da escola e dos professores na sociedade actual, onde os mercados de trabalho têm conhecido “uma mudança acelerada”.
Para o chefe de Estado, “já não há empregos para a vida, e a mobilidade, incluindo entre diferentes países, é uma realidade exigente”, o que implica “novas maneiras de ensinar e de aprender”, a que “a escola tem que dar resposta”.
“Os professores, que foram os agentes da escola de rigor e de selecção de outrora, são hoje os agentes cruciais para o sucesso desta evolução que a sociedade moderna e global exige” e têm também a tarefa de “fazer a ligação entre o mundo exterior e a preparação das crianças e jovens”.
A função da escola nos tempos actuais “tornou-se tão complexa e tão extensa que exige concertação das políticas nacionais e europeias, assim como a definição de padrões de qualidade que orientem e estimulem um aperfeiçoamento constante”.
No final da cerimónia, Cavaco Silva escusou-se a responder às questões de jornalistas sobre a formação do novo governo, afirmando pretender apenas a assinalar o centenário do Liceu Camões, “um símbolo de qualidade educativa”.

