Prazo para revisão dos estatutos das universidades e politécnicos poderá ser alargado

20.06.2007 - 16:40 Por Lusa
O ministro do Ensino Superior admitiu hoje alargar o prazo para a revisão dos estatutos de universidades e politécnicos, em resposta a uma das principais contestações à proposta de lei para a reforma do sector.
Mariano Gago participou hoje em Lisboa numa sessão de apresentação e debate da proposta de Lei do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, que será discutida na Assembleia da República no dia 28 de Junho.
O debate contou com a participação de vários professores, reitores e estudantes que, de uma maneira geral, contestaram e manifestaram preocupação relativamente ao prazo de seis meses previsto na proposta de lei para procederem à total adaptação das instituições de ensino superior ao novo regime jurídico, considerando-o demasiado curto.
De acordo com o diploma legal do RJIES, "no prazo de seis meses a contar da entrada em vigor da presente lei, as instituições de ensino superior devem proceder à revisão dos seus estatutos, de modo a conformá-los com o novo regime legal", sob pena de entrarem em "degradação institucional".
Para o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Luciano Almeida, "a elaboração de um regulamento, em regra, exige maior tempo".
"O prazo para a revisão dos estatutos é de seis meses, um tempo extremamente reduzido. Penso que um alargamento não excessivo do prazo não põe em causa a reforma", considerou, defendendo como razoável um período de nove meses.
Também o reitor da Universidade Nova de Lisboa manifestou "preocupação" quanto à possibilidade de uma instituição de ensino superior poder "entrar em solvência se não conseguir cumprir os seis meses", e sublinhou que "o período de transição é vital na condução do processo".
O presidente do Conselho Directivo do Instituto Superior de Economia e Gestão considerou que "deve haver benevolência para o prazo ser ultrapassado", enquanto que as associações académicas consideraram "insuficiente" não só este prazo, como o período de tempo em que o diploma esteve aberto à discussão.
Manifestando-se "sensível" a esta preocupação, Mariano Gago adiantou que a questão temporal não será "impeditiva" e que o Governo está "disponível para encontrar uma solução razoável".
"Vamos estar atentos para não estabelecer períodos muito longos que levem a que nada mude, nem tão curtos que não permitam a mudança consciente que é necessária", acrescentou.

