Transferência punitiva

População encerrou escola primária no Barreiro em solidariedade com funcionária

31.03.2008 - 15:38 Por Lusa

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 (Adriano Miranda (arquivo))
Cerca de 50 pais e familiares de alunos e ex-alunos da escola primária de Palhais, no Barreiro, encerraram hoje o estabelecimento de ensino, em protesto contra a transferência de uma funcionária que ali prestava serviço há 22 anos.

A funcionária foi transferida para a escola primária de Coina, onde hoje iniciou funções, mas a população de Palhais quer o seu regresso, lembrando que “criou duas gerações de jovens da terra”.

A escola esteve encerrada até à chegada da GNR, tendo sido aberta pelas autoridades para que professores e funcionárias pudessem entrar, apesar dos cerca de 70 alunos não o terem feito.

“Esteve aqui na escola 22 anos sem queixas, sempre foi educada e meiga para com todos os alunos e tanto os antigos como os actuais gostam imenso dela. Com a nova directora da escola e uma outra funcionaria começaram a surgir problemas e houve uma queixa no agrupamento”, disse à Lusa Iria Caniça, mãe de um ex-aluno da escola.

Abaixo-assinado na Direcção Regional

Na porta estava colocado um cartaz onde se lia “Estamos indignados, exigimos o regresso da funcionária Georgina”. Foi, entretanto, enviado um abaixo-assinado, com cerca de 300 assinaturas, à Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo e ao Agrupamento de Escolas Quinta Nova da Telha.

“Não sabemos o porquê desta decisão [transferência]. A funcionária chegou a solicitar uma reunião com os pais para saber se existiam queixas e não lhe foi permitido. Vamos continuar com os protestos”, explicou.

No local esteve uma representante do Agrupamento de Escolas Quinta Nova da Telha que procurou explicar aos pais os motivos da decisão, mas estes não aceitaram as explicações. Aquela responsável recusou-se a prestar declarações à Lusa, afirmando não estar autorizada.

Frases como “Vão-se todas embora, nós queremos a Jójó”, “Isto é racismo” e “Não vamos desistir” foram proferidas pela população, que chegou a vaiar a directora do estabelecimento.

Presidente da Junta presente

O presidente da Junta de Freguesia de Palhais, Manuel Costa, também esteve presente no protesto dos pais e não se mostrou satisfeito com a situação.

“A Jójó [nome pelo qual é tratada a funcionária transferida] era muito acarinhada por todos. Os antigos e actuais alunos, bem como os familiares, sentem-se revoltados. Foi uma surpresa para todos e ninguém quer aceitar a transferência”, disse à Lusa o autarca.

O protesto terminou perto da hora de almoço, com os professores no interior da escola e as crianças a brincar num parque da freguesia. A população promete voltar aos protestos na manhã de terça-feira.

A Lusa contactou o Agrupamento de Escolas Quinta Nova da Telha, mas até ao momento não possível falar com nenhum dos responsáveis.

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Comentário + votado

Respondendo ao Srº José Alves...

Confuso deve estar você, carissimo José Alves. Não sei se se apercebeu, mas o assunto em foco aqui ...

Anónimo

03.04.2008 18:34

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