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Sindicatos e tutela assinam amanhã declaração conjunta

Plataforma diz que perto de 90 por cento dos professores apoiaram entendimento com ministério

16.04.2008 - 14:28 Por Lusa

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Mário Nogueira garante que "não vai acabar a luta" dos professores, apesar de a trégua com o ministério Mário Nogueira garante que "não vai acabar a luta" dos professores, apesar de a trégua com o ministério (Paulo Pimenta (arquivo))
Quase noventa por cento dos cerca de 50 mil professores que foram consultados ontem pelos sindicatos apoiaram o entendimento alcançado com o Ministério da Educação no âmbito da avaliação de desempenho, revelou hoje a plataforma sindical que representou os docentes nas discussões com a tutela.

Em conferência de imprensa, Mário Nogueira, porta-voz da plataforma que reúne todos os sindicatos do sector, adiantou que a moção que previa a ratificação do entendimento estabelecido com o ministério foi discutida em mil agrupamentos de escolas, tendo sido aprovada em 89 por cento dos estabelecimentos de ensino.

Com estes resultados, os sindicatos assinam amanhã uma declaração conjunta com a tutela, na qual se estabelece que a avaliação avança este ano lectivo apenas para os professores contratados e para os docentes dos quadros em condições de progredir de escalão, baseando-se exclusivamente em quatro critérios, aplicados de forma uniformizada em todas as escolas.

A ficha de auto-avaliação, a assiduidade, o cumprimento do serviço distribuído e a participação em acções de formação contínua, quando obrigatória, serão os únicos parâmetros a ter em conta, sendo que as classificações de "regular" e "insuficiente" só terão efeitos negativos na carreira se forem confirmadas na avaliação realizada no próximo ano lectivo.

"Este entendimento não resolve os problemas da Educação, mas permite resolver alguns problemas concretos, no imediato. É pouco, mas desbloqueia a situação e, sobretudo, é a primeira vez em três anos que há alguma coisa", afirmou Mário Nogueira, salientando que foram conseguidos alguns "ganhos" e "mecanismos de protecção" dos docentes, no âmbito desta avaliação de desempenho.

No encontro com os jornalistas, a plataforma sindical reiterou diversas vezes que este memorando de entendimento "não é nenhum acordo com o Governo", uma vez que se mantêm divergências profundas quanto à política educativa do Executivo socialista, nomeadamente no que diz respeito ao novo Estatuto da Carreira Docente e ao próprio modelo de avaliação, que classifica de "burocrático e injusto".

Por isso, o porta-voz da plataforma sublinhou que "não vai acabar a luta" dos professores, embora a trégua com o ministério permita "salvar o terceiro período da instabilidade", uma vez que fica posto de parte o recurso à greve e a outras acções de luta que interfiram com as aulas.

Mantêm-se protestos das segundas-feiras

Apesar do entendimento com a tutela, os sindicatos decidiram manter os protestos regionais agendados para todas as segundas-feiras à noite, como o que esta semana reuniu perto de três mil docentes no Porto, alegando que estes se realizam fora do horário das escolas.

"É extremamente importante que estes protestos sejam muito participados para que os professores digam que estão satisfeitos com este entendimento, mas ainda estão profundamente insatisfeitos com a política educativa no geral", apelou Mário Nogueira.

Sendo a "trégua" apenas temporária, as organizações sindicais vão começar já em Maio a preparar a "estratégia de acção e de luta" para o ano lectivo 2008/2009, um ano bem mais sensível, já que coincide com as eleições legislativas.

Para definir esta estratégia, os sindicatos vão organizar no próximo mês plenários e reuniões nos estabelecimentos de ensino para consultar os docentes.

A consulta organizada ontem relativa à avaliação de desempenho contou com a presença de cerca de 50 mil professores, o que corresponde, aproximadamente, a um terço dos profissionais da classe. Destes, 86,2 por cento votaram favoravelmente a moção apresentada pela plataforma sindical, que foi assim aprovada em 89 por cento das escolas.

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é assim

a democracia...

manuel josé

18.04.2008 06:59