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Ainda há um longo caminho a percorrer

Peritos e responsáveis lembram que processo está no início

18.06.2009 - 18:00 Por Lusa

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Peritos e responsáveis de universidades e politécnicos portugueses são unânimes em considerar que ainda há caminho a percorrer para terminar efectivamente o processo de Bolonha, iniciado há 10 anos.

Sebastião Feyo de Azevedo, delegado nacional do grupo internacional de acompanhamento de Bolonha (BFUG, em inglês), diz que foram dados impulsos legislativos e fez-se um primeiro trabalho "muito sério, se bem que limitado" de modernização de conteúdos e aproximação à sociedade.

Como consequências indirectas, o professor da Universidade do Porto refere um maior interesse pela mobilidade, "infelizmente limitado pelas dificuldades sociais que muitas famílias experimentam e também ainda por algum conservadorismo académico no reconhecimento de qualificações", o que impede o cumprimento em 2010 das metas estipuladas.

A nível dos docentes e investigadores, considera a mobilidade "limitada e no essencial ligada às razões de investigação e por tempo relativamente curto".

"Genericamente", admite faltar a alteração do modelo de ensino e aprendizagem, mas lembrou os esforços nesse sentido e a necessária mobilização de académicos e estudantes para serem "agentes catalisadores da evolução".

Acerca dos aspectos financeiros, o responsável adianta que massificação verificada no Ensino Superior tem associado um aumento "muito grande" dos custos, mas recusa uma relação directa com Bolonha.

"A questão política que se coloca é a de quem deve suportar estes custos" e um outro aspecto é que "as pessoas só dão valor e são exigentes relativamente ao que pagam".

Comentando a redução de anos nas licenciaturas, diz que em várias áreas o primeiro ciclo de três anos "satisfaz plenamente as exigências de qualificação superior para primeiro emprego". "Mas não podemos tratar de forma igual aquilo que é diferente, como profissões reguladas ou semi-reguladas".

Para o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), a preferência de alguns países pela fórmula 3+2 anos (licenciatura + mestrado), como Portugal, e de outros por 4+1 pode dificultar o reconhecimento de habilitações e a mobilidade.

Também indica não ter existido "grande gasto e empenho em cursos de formação e de adaptação dos docentes" e que propinas mais caras em alguns mestrados podem aumentar as despesas das famílias.

O vice-reitor da Universidade de Aveiro lembra que do "ponto de vista estrutural há uma indefinição quanto aos Cursos de Formação Tecnológica (CETs)", ou seja se correspondem, ou não, às formações de ciclo curto de Bolonha.

António Ferrari entende que o trabalho de "repensar" as alterações dos métodos de ensino e de estudo "está ainda numa fase muito inicial".

Mas, como todos os especialistas ouvidos pela Lusa, recorda ser um aspecto que exige tempo e esforço. "Portugal tem de resto, noutros níveis de ensino, experiência dos maus resultados da adesão brusca a 'modas pedagógicas'", argumenta Ferrai.

Acerca do financiamento, recorda que há mestrados financiados, enquanto a nível da mobilidade tradicional os "efeitos não são ainda claros" e que quanto aos professores continua a "tendência de crescimento lento (da mobilidade) que já anteriormente se verificava".

Concluiu ainda que na "maioria das áreas de formação só o segundo ciclo dá capacidade profissional plena".

O antigo membro do grupo de peritos nacionais de Bolonha José Luís Cardoso também defende que o processo está no início e que os objectivos do novo paradigma de ensino, baseado nos objectivos de aprendizagem e formação de competências, "não estão suficientemente interiorizados".

As modificações de conteúdo e métodos pedagógicos também não ainda foram "aprofundadas".

O também membro da comissão nacional de acompanhamento de Bolonha, cujo trabalho entretanto foi concluído, afirma que a ideia da formação ao longo da vida necessita de mais tempo para ser experimentada, no sentido de os ciclos de formação não terem de ser feitos sequencialmente.

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Tiro no próprio pé

Aos senhores Licenciados que brandem os bisturis da crítica contra os Professores Doutores, devo ...

Daniel Costa

01.07.2009 00:15

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