O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou hoje a reforma da gestão escolar anunciada pelo primeiro-ministro, dizendo que "é um golpe à escola democrática" e acusou o Governo de esquecer o ensino especial.
Jerónimo de Sousa afirmou que o novo sistema anunciado pelo primeiro-ministro no debate mensal na Assembleia da República, com o tema da Educação, "é mais um golpe à escola democrática". "É voltar aos tempos do velho director de escola que determina e decide tudo, com o aplauso de satisfação da direita", acusou.
Referindo-se à troca de acusações entre o líder da bancada do PSD, Santana Lopes, e José Sócrates, sobre o novo sistema de gestão escolar, Jerónimo de Sousa pediu, em tom irónico, "deixem-se de fitas". "Apetece dizer, deixem-se de fitas porque no essencial estão de acordo. O PS andou dois anos a desestabilizar a escola pública (...) e agora encontrou uma solução que mais parece uma modernidade às arrecuas", acusou.
Na resposta, o primeiro-ministro recusou que a reforma represente um regresso ao passado, frisando que "o director escolar" [no tempo do Estado Novo] era nomeado pelo ministério.
José Sócrates reiterou que o director executivo de cada escola passará a ser escolhido por concurso pelo respectivo órgão colegial, tendo sempre que ser um professor. A forma de nomeação do director executivo da escola é uma das principais medidas da reforma do sistema de gestão escolar anunciado pelo chefe do Governo na abertura do debate.
Jerónimo de Sousa questionou José Sócrates sobre o ensino especial, frisando que as novas políticas nessa área "afastaram 50 por cento de professores" e "40 mil alunos que deixaram de caber na novas definições de necessidades educativas". Sobre o ensino especial, o primeiro-ministro contrapôs que o Governo "aumentou o número de técnicos e de terapeutas" e frisou que no presente ano há um grupo de docentes a dar formação a mais professores nesse campo.
Jerónimo de Sousa aproveitou o debate mensal com o primeiro-ministro para o confrontar com os números do desemprego e exigir medidas para romper com "o garrote draconiano do Banco Central Europeu" no que respeita à subida das taxas de juro.
Na resposta, José Sócrates assinalou que no ano passado o "crescimento do desemprego foi contido" e que desde 2005 "a economia portuguesa já criou 105 mil postos de trabalho", frisando que pela primeira vez desde 1998 Portugal tem a trabalhar mais de cinco milhões de pessoas.


