As férias estão mesmo a chegar e as dores de cabeça dos pais também. Quem lhes dera ter também dois meses e meio de descanso, como os filhos. Ou talvez não! A verdade é que para a maioria dos pais é impossível gozar as mesmas férias que os miúdos. Por isso, o melhor é procurar alternativas que não seja ficar em casa.
Depois de nove meses de aulas, é tempo de não fazer nada, aconselha a psicóloga educacional Maria Dulce Gonçalves, do centro de psicologia Lispsi, em Lisboa. "O tempo de férias é um tempo para saborear o não fazer nada, é tempo de recarregar baterias e retemperar ânimos para o próximo ano lectivo", aconselha.
Os mais pequenos devem ter tempo e espaço para brincar, enquanto os mais velhos deverão poder fazer umas sestas, dormir até mais tarde depois de uma noitada. "É bom que as regras mudem radicalmente durante as férias para depois poder voltar à normalidade", aconselha a especialista. A excepção confirma a regra, diz o ditado e pais e filhos podem cumpri-lo para fazer coisas diferentes e não cumprir horários.
Ainda as aulas não terminaram e já muitas escolas enviaram informação para casa dos pais, com as ofertas para ocupação dos tempos livres, durante o final deste mês e para o próximo. A praia é uma constante dos programas dos colégios e dos estabelecimentos de ensino das instituições particulares de solidariedade social, mas mais raras nas escolas públicas.
Em tempos de crise, o ideal é encontrar programas mais em conta. São muitos os municípios e as juntas de freguesia que oferecem programas. Estes não são gratuitos, mas pagos, por vezes, tendo em conta os rendimentos das famílias. Há autarquias que oferecem trabalho aos miúdos com 16 anos ou mais, por exemplo, para serem monitores dos mais pequenos. Existem ainda programas de voluntariado, para os adolescentes e jovens, óptimas alternativas para crescer em responsabilidade e ter o tempo ocupado.
Para os mais novos, o melhor é procurar outras ocupações onde possam aprender uma nova língua, melhorar os conhecimentos em ciências ou a matemática, descobrir como se cria uma máquina fotográfica, praticar novas modalidades desportivas ou, simplesmente, brincar.
Maria Dulce Gonçalves afirma que "em termos cognitivos, se verificam saltos muito grandes, quando as crianças voltam à escola". Ou seja, ter experiências diferentes, contactar com outras pessoas, "é positivo". No entanto, alerta, quando as férias são demasiado longas e sem horário, torna-se mais difícil regressar à normalidade. Por isso, quando as aulas estiverem quase a começar, é bom retomar os horários.
Cultura
O que é a tralha? Um conjunto desordenado de várias coisas mas também o ponto de partida para as oficinas Artes nas Férias no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. São quatro temas - entre Poesia com Tralha ou uma Oficina da Memória - para dez dias de actividades (de 22 a 26 de Junho e de 29 de Junho a 3 de Julho das 10h30 às 13h e das 14h30 às 17h). Para miúdos dos cinco aos sete e dos oito aos 12.
A que sabe o Oriente? A canela, açafrão, caril... No Museu do Oriente, em Lisboa, há oficinas para explorar, através de cheiros, sons, cores e sabores, as colecções do Museu. A aventura, que começa a 6 de Julho e termina a 28 de Agosto, é para miúdos dos seis aos 12.
No Museu Colecção Berardo, em Lisboa, brinca-se ao cinema (cada um pode ser actor, realizador ou maquilhador), habita-se o espaço do Museu e do jardim com a imaginação ou constrói-se um mundo novo (com maquetas, pinturas e esculturas), a partir da exposição do arquitecto Pancho Guedes. Para miúdos dos quatro aos seis e dos sete aos 12 e de 29 de Junho a 11 de Setembro.
Em Guimarães, no Museu de Alberto Sampaio, comemora-se o aniversário de D. Afonso Henriques e imagina-se que o rei regressa à cidade. A festa - com música, dança e teatro de sombras - está marcada para os dias 6 a 10 de Julho, das 10h às 12h e das 14h30 às 16h30 e é para jovens dos 12 aos 16.
Mais informações em www.ccb.pt (213612899), www.museudooriente.pt (213585299), www.museuberardo.com (213612879) e masampaio@ipmuseus.pt (253423910).
Teatro


