Há associações contra

Pais também são chamados a ter educação sexual

12.09.2010 - 07:53 Por Bárbara Wong

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Muitos professores temem as perguntas dos alunos Muitos professores temem as perguntas dos alunos (Foto: Paulo Pimenta)
Muitas escolas já o faziam, mas este ano é que será a sério. A educação sexual passou a ser obrigatória nas escolas públicas de todos os ciclos de ensino e, segundo a lei, é para ser aplicada ao longo do ano lectivo. São seis horas para os alunos até ao 2.º ciclo e 12 horas para os estudantes do 3.º ciclo e secundário. Mas não só: há escolas que estão a convidar os pais para que também eles recebam formação na área e a maioria tem aderido ao apelo.

Do outro lado da barreira, há associações de pais, como a Plataforma Resistência Nacional ou a Associação Família e Sociedade, que já se manifestaram contra a aplicação da lei, mas o Ministério da Educação garante que as escolas são obrigadas a ouvir os encarregados de educação sobre esta matéria. Se os pais não quiserem que os filhos assistam a essas aulas, terão que fundamentá-lo.

Ambas as associações defendem que falar sobre educação sexual é uma opção das famílias que não pode ser imposta por lei. A Plataforma Resistência Nacional, que reúne perto de 800 encarregados de educação, colocou inclusive no seu site (http://www.plataforma-rn.org) uma carta-modelo que os pais podem enviar às escolas fundamentando por que não querem que os seus filhos recebam formação nesta área.

Envolver os pais

Na Escola Secundária Avelar Botero, em Coimbra, onde o tema já é trabalhado há anos, os pais são ouvidos porque têm assento nos conselhos pedagógico e geral. "Os pais têm sem- pre de pronunciar-se", garante Helena Dias Loureiro, professora de Inglês e membro da equipa de coordenação da educação sexual e do gabinete do aluno - a lei prevê que as escolas tenham um espaço onde os estudantes possam receber informação e apoio.

Genoveva Belona, coordenadora da equipa de educação sexual no agrupamento vertical de Gavião, no Alentejo, também nunca teve problemas com os pais. "Há sempre cola- boração", sublinha, até porque da equipa, além dos professores das es- colas, fazem parte um membro da associação de pais, a psicóloga do município, uma assistente social que é presidente da Comissão de Protecção de Menores e uma enfermeira do centro de saúde. Além disso, já foi feita formação em educação sexual para os pais. "Tivemos muito público. Sempre integrámos os pais", repete.

A nível concelhio, no Barreiro, tem havido uma aposta na formação de professores - cerca de 200 já receberam formação. Agora, o desafio é estender essa actividade aos pais, desvenda Teresa Alexandre, professora da EB 2/3 Luís de Mendonça Furtado, que trabalha com o delegado de saúde do Barreiro nessa iniciativa.

Professores são problema

As dúvidas dos pais são as dos professores, diz Genoveva Belona. "Como abordar o tema?", perguntam todos. Por vezes, admite, os pais têm receio que não sejam respeitados determinados valores mas nunca aconteceu proibirem um aluno de frequentar as aulas. "A educação sexual não é falar do acto em si, é a educação para a se- xualidade e para os afectos", esclarece. Até já houve pais a participar em dramatizações feitas pelos alunos sobre temas de educação sexual.

No agrupamento de Gavião há acções para todas as turmas, do pré-escolar ao 9.º ano. Os temas não são todos iguais e, por vezes, os professores de uma ou outra turma sugerem que seja desenvolvido um para o qual os alunos estão mais despertos ou precisam de ser esclarecidos. A educação sexual acontece nas aulas de Formação Cívica e de Área Projecto. Há ainda iniciativas que abrangem todo o agrupamento, como o Dia da Luta contra a Sida.

O mesmo acontece no concelho do Barreiro. Há um dia - o Dia dos Afectos - que os dez agrupamentos de escolas da cidade celebram em conjunto. Também é feita uma marcha da Saúde e, no final do ano, há uma jornada sobre educação sexual no concelho.

Teresa Alexandre reconhece que muitos professores evitam trabalhar a educação sexual porque temem as perguntas dos alunos. Célia Nobre, da EB 2/3 de São Pedro do Mar, em Quarteira, Algarve, confirma: "O grande problema não são os pais, é a escola. Os colegas que não se sentem à vontade para abordar determinados temas".

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Finalmente!

"educação sexual é uma opção das famílias que não pode ser ...

marta

13.09.2010 08:37