Oposição critica Governo por não promover ensino do português no estrangeiro

31.03.2008 - 20:13 Por Lusa
A oposição parlamentar criticou a incapacidade do Governo em promover o ensino da língua do país no exterior, designadamente na Venezuela, depois de hoje o Brasil ter anunciado que apoia o Executivo de Caracas a desenvolver o português como principal idioma estrangeiro.
A crítica unânime da oposição deve-se à anunciada incapacidade do Governo português em enviar professores de língua portuguesa para a Venezuela, país que inicia em Outubro um programa-piloto que lança as bases para tornar o português como primeiro idioma estrangeiro.
Para José Cesário, deputado do PSD eleito no círculo eleitoral fora da Europa, a posição do Governo português "é ridícula". “Estamos a falar da perda de uma oportunidade, onde além do ensino do português também está em causa a transmissão da própria cultura", disse. "Se um país como a Venezuela nos dá uma oportunidade destas não a podemos perder. Esta questão é mais um exemplo de que o ensino da língua e cultura portuguesas no exterior não é uma prioridade", acusou o deputado social-democrata.
No mesmo sentido alinharam os deputados Hélder Amaral (CDS-PP) e Helena Pinto (Bloco de Esquerda) e ainda João Armando, responsável pelas organizações do PCP na emigração.
O deputado centrista manifestou-se "envergonhado" com a falta de recursos enunciada pelo governo. "Como português sinto-me envergonhado. Se o Governo diz que a promoção da língua portuguesa é uma prioridade e depois acontece isto, sinto-me envergonhado", destacou.
Hélder Amaral acrescentou que o seu partido está a preparar uma iniciativa legislativa sobre a defesa e promoção da língua portuguesa.
Língua é forma de transmitir cultura
Helena Pinto considerou, por seu lado, que o governo português "não tem uma política" para a promoção da língua portuguesa. "O ensino do português não serve apenas para dar resposta às comunidades (portuguesas), que pretendem que os filhos aprendam a língua dos seus pais. O ensino do português é também a promoção de Portugal e da cultura portuguesa", vincou.
Os comunistas, por intermédio de João Armando, consideram que o apoio de Brasília ao ensino de português na Venezuela "só vem confirmar a preocupação e a denúncia que temos vindo a fazer quanto à política de ensino para as comunidades portugueses". "O Governo fala muito da importância e projecção da língua portuguesa, mas na prática vira as costas a este importante espaço da nossa diáspora. Até pelo Orçamento de Estado que foi apresentado para 2008 que se percebe uma redução das verbas do Ensino do Português no Estrangeiro (EPE)", destacou.
João Armando manifestou-se convicto que aquela situação vai continuar. "Tudo indica que a situação não vai melhorar e que esta é uma política de 'lesa-pátria', que despreza as novas gerações, com as consequências que isso traz para o país e para as comunidades portuguesas", concluiu.
Falta de professores pode impedir iniciativa
O Governo venezuelano decidiu incluir a língua portuguesa como disciplina opcional no currículo oficial do próximo ano lectivo, mas a falta de professores chegou a ser considerada um obstáculo para a iniciativa. Nesse sentido, hoje em Brasília foi anunciado que o Brasil vai cooperar com a Venezuela para garantir a adopção da língua portuguesa como primeiro idioma estrangeiro, no âmbito de um acordo realizado na semana passada, em Recife entre os presidentes Lula da Silva e Hugo Chávez.
Também na semana passada, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal, João Gomes Cravinho, justificou com a falta de dinheiro a incapacidade portuguesa para corresponder à iniciativa venezuelana. "Portugal vive uma conjuntura de enormes oportunidades no que toca ao ensino da língua portuguesa e à promoção da língua portuguesa no estrangeiro conjugada com exiguidade de recursos", explicou então Cravinho.
O Brasil mantém, actualmente, cinco leitorados na Escola de Idiomas Modernos, da Universidade Central da Venezuela, enquanto Portugal tem apenas um leitorado.

