Média de 13 no final das aulas, mas no exame não foram além de 8,5. Mais de quatro pontos de diferença para baixo. Aconteceu a Física e Química, mas também a Biologia e Geologia. Nesta disciplina, a média que resultou das classificações dadas pelos professores aos alunos internos, que são aqueles que frequentam as aulas o ano inteiro, foi de 14. No exame ficou-se pelos 9,8.
João Oliveira, da Associação Portuguesa de Professores de Biologia e Geologia, lembra que na sala de aula também são avaliadas competências que não entram em linha de conta nos exames. Por exemplo, as atitudes, o trabalho de campo ou nos laboratórios. Mas aquele docente admite que o nível de dificuldade dos exames, nos últimos anos, poderá não ser coincidente ainda com o trabalho realizado nas aulas. Considera também que existe uma "lacuna na formação de professores".
Paulo Feytor Pinto, da Associação de Professores de Português, defende que as diferenças registadas se esbateriam com a adopção de critérios nacionais de avaliação contínua. Sem estes, são as escolas e os professores a definir o que é levado em conta e o peso de cada componente para a avaliação final, lembra. No exame de Português, a média obtida pelos alunos internos foi igual à dada pelos seus professores - 14. Na Matemática A a diferença de médias obtidas pelos alunos internos foi de 0,7: 13 nas aulas e 12,2 no exame.
Mas a média total, que leva em conta também os resultados dos estudantes que se autopropuseram a exame, baixou para 10,5 a Português e 10,8 a Matemática A. Dos 66.958 que realizaram a prova de língua materna no dia 16 de Junho, 18.600 eram alunos externos. A prova de Matemática A foi realizada por 38.082 alunos. Destes, 10.515 autopropuseram-se a exame.
Só se podem autopropor a exame os alunos que já ultrapassaram a idade-limite da escolaridade obrigatória. Com o alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, o contingente dos autopropostos tenderá assim a diminuir. Geralmente, estes são alunos que foram chumbados pelos seus professores ou que ficaram pelo caminho por excesso de faltas. "Este é um problema que nos preocupa. Porque com a passagem do ensino obrigatório para os 18 anos, vai existir uma pressão natural para que os exames se adeqúem a estes alunos", alerta Miguel Abreu da Sociedade Portuguesa de Matemática.


