A constituição de equipas de vigilantes nas escolas, formadas por polícias aposentados, que se encontra prevista num decreto-lei publicado segunda-feira, não vem trazer "grandes diferenças" à situação já hoje existente, indicou ao PÚBLICO fonte da PSP.
Trata-se sobretudo de preencher um "vazio legal" com o objectivo de enquadrar os muitos aposentados das forças de segurança que têm vindo a ser contratados pelo Ministério da Educação para assegurar a segurança no interior das escolas, acrescentou.
Segundo o decreto-lei, as equipas de vigilantes serão constituídas a pedido das escolas e por decisão da ministra da Educação.
"Há muita coisa para trabalhar nas escolas e isso exige uma preparação específica, diferente da que é ministrada às forças de segurança", frisa, a propósito, Cláudia Afonso, técnica de mediação do Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família (GAAF) do agrupamento de escolas Pedro Eanes Lobato, na Amora, conselho do Seixal.
Agostinho Almeida, presidente da União Concelhia das Associações de Pais do Seixal, tem dúvidas que o combate à violência escolar passe por soluções como a preconizada na nova lei. São precisas "equipas multidisciplinares, muito bem preparadas e com formação específica" para actuar junto dos jovens e das famílias, frisa, apontando o exemplo do que considera ser "uma experiência fabulosa": A actuação do GAAF, constituído há dois anos no agrupamento de escolas da Amora. "Tem métodos informais, que lhe permite trabalhar com os alunos e chegar às famílias. Os técnicos vão a casa dos alunos sinalizados e as famílias reagem positivamente. Sentem que alguém se está a preocupar com elas. E este apoio aos alunos e seus agregados permite resguardar os professores para a sua tarefa mais fundamental: ensinar".
No último ano lectivo, 1317 jovens foram vítimas de violência nas escolas, o que representa um aumento de 20,6 por cento por comparação ao ano anterior.


