Ministro diz que a “preocupação” da revisão curricular é “a educação dos jovens”

11.01.2012 - 16:09 Por Lusa
O ministro da Educação, Nuno Crato, reconheceu hoje que os recursos de Portugal "não são ilimitados", mas garantiu que a "preocupação" da proposta do Governo de revisão curricular dos ensinos básico e secundário é "a educação dos jovens".
"Claro que temos recursos que não são ilimitados e temos que ter isso em conta, mas a nossa preocupação é a educação dos nossos jovens e é para isso que estamos a trabalhar", disse Nuno Crato.
Na proposta de revisão curricular dos ensinos básico e secundário, "o que está em causa é a educação dos nossos jovens", insistiu, referindo que o Governo está "a trabalhar para que essa educação seja a melhor possível com os recursos que temos".
Nuno Crato falava aos jornalistas em Beja, após ter reunido com directores de escolas do Alentejo, naquela que foi a primeira de uma ronda de reuniões pelo país para discutir a proposta governamental de revisão curricular dos ensinos básico e secundário.
O ministro, questionado pelos jornalistas, reagia à posição do Sindicato dos Professores da Zona Sul (SPZS), que, através de sindicalistas, distribuiu hoje, à porta da escola onde decorreu a reunião, panfletos a contestar a proposta do Governo de revisão curricular.
Nos panfletos, o SPZS refere que a proposta do Governo de revisão curricular é uma "imposição" da "troika" e vai permitir encaixar 159 milhões de euros.
Em declarações aos jornalistas, o presidente do SPZS, Joaquim Páscoa, disse que a revisão curricular "será o fim da escola pública, tal e qual a conhecemos, uma escola em que as oportunidades sejam iguais para todos".
"Parece-nos que há um empobrecimento, que será sistemático e irá acentuar-se com o tempo, da escola pública e, obviamente, a abertura de portas, que serão com o tempo cada vez mais largas, para as escolas privadas e para uma educação de elites", disse Joaquim Páscoa.
A revisão da estrutura curricular "é um processo que está em aberto", disse Nuno Crato, explicando que o Governo está "a apresentar aos agentes educativos" a sua proposta.
Segundo o ministro, "trata-se apenas de uma revisão da estrutura curricular, não é a grande reforma do ensino", porque o Governo "entende" que deve "actuar gradualmente" e, por isso, tem "um plano de actuação gradual", porque "toda a escola precisa de ser melhorada".
"Mas, neste momento, estamos concentrados na revisão da estrutura curricular", disse, referindo que saiu da reunião de hoje "muito contente", porque foi "excelente" e "excedeu em muito" as suas expectativas.
A discussão da proposta de revisão curricular com os directores das escolas é "uma pequena etapa", está "a começar muito bem" e "há uma grande sintonia entre os directores, que representam professores, e o ministério", disse Nuno Crato, referindo que o Governo tem "recebido sugestões", está "a fazer ajustamentos" e vai "mudar muitas coisas".

