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Depois de 30 anos de “total indiferenciação”

Ministra afirma que avaliação de desempenho é uma reforma ganha

21.05.2009 - 07:35 Por Lusa, PÚBLICO

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A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, considera que a avaliação de desempenho dos professores é "uma reforma ganha", afirmando compreender a insatisfação docente, tendo em conta a rotura introduzida num "marasmo" de 30 anos de "total indiferenciação".
Maria de Lurdes Rodrigues diz ter errado ao não ter "desmontado" todas as acusações dos sindicatos Maria de Lurdes Rodrigues diz ter errado ao não ter "desmontado" todas as acusações dos sindicatos (Nuno Ferreira Santos (arquivo))

"Do meu ponto de vista foi uma reforma ganha. Temos hoje milhares de professores a fazer a avaliação, o que significa que é hoje um adquirido nas escolas. (...) Oitenta mil professores entregaram os objectivos individuais e 30 por cento destes requereram uma componente da avaliação que era facultativa", afirma a ministra. Para Maria de Lurdes Rodrigues, esta reforma introduziu uma rotura "num marasmo de mais de 30 anos de total indiferenciação e pseudo igualitarismo", já que "a ausência total de princípios mínimos de competição" era "muito negativa para as escolas".

Ainda assim a responsável admite que "um ou outro aspecto correu mal", mas que o Governo teve a "humildade" de simplificar e de dar condições às escolas para a concretização do modelo. Questionada sobre as manifestações realizadas no ano passado e a do próximo dia 30, Maria de Lurdes Rodrigues afirma "compreender" o descontentamento dos docentes, mas adianta que a sua preocupação "é garantir que o profissionalismo não é beliscado com a insatisfação, algo que todos temos que exigir".

A ministra da Educação acentua ainda que muitas vezes a contestação também está relacionada com o desconhecimento dos efeitos das regras que se mudaram: "A carreira não é o que era, mas também não é tão bloqueada como os professores a percebem".

A ministra lamenta também que tenha errado ao não ter "desmontado" todas as acusações de estar a atacar os professores, uma atitude dos sindicatos que diz ter sido "sistemática" durante o seu mandato.

"O manual do aplicador [das provas de aferição] tem dez anos e é lido como a prova de que a ministra ataca os professores. E isto foi sistemático ao longo do mandato. O meu erro talvez tenha sido não ter dado a devida atenção e não ter desmontado, no momento, todos estes racionais que eram construídos em torno do que se dizia", afirmou a ministra da Educação.

Outro dos exemplos que aponta prende-se com uma citação que os sindicatos lhe atribuem e que surge normalmente nos cartazes das manifestações: “Perdi os professores, mas ganhei as famílias”. "Eu nunca disse tal frase. Mas provavelmente o meu erro foi nunca ter exigido aos sindicatos que subscreveram o cartaz a prova daquela minha afirmação. Nunca o exigi e devo ter feito mal, porque hoje o que paira é que a ministra fez grandes ataques aos professores e até disse aquela frase", reitera.

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Comentário + votado

Leandro Coutinho

Os professores têm de ser avaliados.. se a aposta ainda não está ganha como se constata pelos ...

Leandro Coutinho

23.05.2009 02:53

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