Ministra admite problemas de comunicação com professores mas nega críticas ao seu trabalho

02.09.2009 - 14:34 Por Lusa
A ministra da Educação admite que existiram problemas de comunicação entre Governo e professores nos últimos quatro anos, como considerou, ontem, José Sócrates mas garantiu que não viu uma crítica ao seu trabalho nas declarações do primeiro-ministro.
Maria de Lurdes Rodrigues, que falava à margem de uma visita à Escola Básica e Secundária de Albufeira, reagia, assim, à entrevista de José Sócrates à RTP, na qual o chefe do Executivo admitiu falhas na forma como lidou com os professores, comprometendo-se a restaurar uma relação "delicada" e "atenta" com os docentes se voltar a formar Governo.
Sobre as razões do mau relacionamento entre executivo e docentes, Sócrates admitiu que, da parte do Governo, "talvez não tivesse havido suficiente delicadeza no tratamento com os professores".
A ministra da Educação admite a existência de problemas, mas considerou que, pessoalmente, aprendeu "muito" com o processo da reforma da carreira docente e de negociação com os sindicatos dos professores.
Segundo Maria de Lurdes Rodrigues, e apesar dos problemas de comunicação que houve entre Governo e professores, a sua preocupação sempre foi prosseguir com a reforma do sector.
FNE lamenta reconhecimento “tardio” de erros por Sócrates
A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) também comentou a entrevista de José Sócrates, lamentando que o primeiro-ministro tenha "reconhecido tardiamente erros" cometidos na sua política de educação. A estrutura sindical "rejeita que o que tenha estado em causa ao longo de toda a legislatura se possa reduzir a uma questão de delicadeza ou de falta de capacidade de explicação, ou sequer que as reacções dos professores - nas manifestações e nas greves - tenham sido actos de infantilidade".
A federação acredita que o Ministério da Educação e o Governo "agiram consciente, coerente e sistematicamente contra os professores, acusando-os de não quererem trabalhar, nem ser avaliados e impondo-lhes um Estatuto de Carreira Docente" que não "os valoriza e dignifica".
Sustenta ainda que o Governo teve "inúmeras oportunidades para corrigir o que estava errado", como as "medidas dificultadoras da progressão em carreira", a "arbitrária divisão da carreira em duas categorias", a "sobrecarga administrativa e burocrática", os "congelamentos salariais" e o "aumento da precariedade laboral".
A estrutura sindical pede, por isso, ao próximo Governo que corrija "muitas das medidas tomadas" pelo actual, para o que lhe apresentará o Roteiro para a Legislatura com o que pretende ver modificado nas políticas educativas", documento que já apresentou aos partidos políticos.

