O Ministério da Educação vai abrir um inquérito à morte de um professor que se terá suicidado por não suportar mais a indisciplina de alguns alunos e os insultos que lhe dirigiam, avança a TSF.
Fonte do gabinete da ministra Isabel Alçada disse que o inquérito vai ser conduzido pela Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) e admitiu que o professor ter-se-á queixado dessas situações de indisciplina.
Luís tinha 51 anos e era professor de Música na Escola Básica 2.3 de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra. Na manhã do dia 9 de Fevereiro pegou no carro e parou na Ponte 25 de Abril. Atirou-se ao rio. Esta foi a solução encontrada para terminar com os abusos de que era alvo por parte de alunos da Escola Básica 2.3 de Fitares onde leccionava.
Em Novembro escreveu uma nota no computador de casa a justificar o motivo: "Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimentos, a única solução apaziguadora será o suicídio". Tinha problemas sobretudo com um grupo de alunos de uma turma de 9º ano, que lhe chamavam nomes como "cão" e "careca".
Ao longo do tempo radicalizou, segundo a família e os colegas, os apelos junto da direcção da escola para que resolvesse a indisciplina, em particular naquela turma. Fez várias participações que não terão tido seguimento. O PÚBLICO tentou ouvir a directora da escola, que justificou que só presta declarações mediante autorização da DREL. Fizemos o pedido e não recebemos resposta. Contudo, foi possível apurar que a Inspecção-Geral da Educação tem participações do alegado incumprimento da legislação sobre questões disciplinares por parte da direcção daquela escola.


