Pediram mais e melhor financiamento para as universidades

Milhares de estudantes do superior enchem as ruas na primeira manifestação contra o novo Governo

18.11.2009 - 10:22

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Os estudantes marcharam até ao Palácio das Laranjeiras, em Lisboa Os estudantes marcharam até ao Palácio das Laranjeiras, em Lisboa (Nuno Ferreira Santos)
Foram cerca de três mil os alunos do ensino superior que marcharam ontem desde a Cidade Universitária até ao Palácio das Laranjeiras, sede do Ministério da Ciência e Ensino Superior, em Lisboa, reclamando mais e melhor financiamento para os estabelecimentos e um alargamento da Acção Social Escolar, naquela que foi a primeira manifestação popular contra o novo Governo. O protesto culminou com uma reunião entre nove representantes de diferentes associações e federações académicas de todo o país, o secretário de Estado Manuel Heitor e o ministro da tutela Mariano Gago.

"Estou aqui tanto pelo projecto de Bolonha, a sua mercantilização e necessidade de especialização como pelo valor das propinas, que é gritante", refere Rafael Martins, estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Ao lado de Rafael estão milhares de alunos que acreditam que deve existir uma grande ponderação relativamente a todas estas questões. "As medidas não podem ser tomadas precipitadamente e esta manifestação é isso. Pedimos uma pausa para pensar, reflectir sobre tudo isto", conta ao PÚBLICO, Tessa Silva. É de Tavira, mas estuda em Coimbra com a irmã. "Os meus pais estão comigo nesta luta, são eles que sentem as dificuldades ao fim do mês", diz a aluna.

Entre a multidão esteve o deputado José Soeiro do BE. "Acho importante associar a nossa voz à voz dos estudantes que hoje saíram à rua. Existe cada vez mais uma substituição da Acção Social universitária por empréstimos, obrigando as pessoas a começar a sua vida endividados e, muitas vezes, em regime de trabalho precário", refere ao PÚBLICO o deputado. "Eu serei a voz dos estudantes na Assembleia da República", diz. Também a JSD divulgou ontem um comunicado, no qual manifestou a sua solidariedade para com a luta dos estudantes.

"Há uns anos disseram que as propinas iriam aumentar a qualidade de ensino, tal não se verificou. As condições não melhoraram e até pioraram e foi isso que aqui viemos hoje dizer", comentou Jorge Serrote, presidente da Federação Académica de Coimbra à saída do encontro com o ministro e o secretário de Estado da tutela.

Mariano Gago, na mesma ocasião, reafirmou a sua intenção de "aperfeiçoar o sistema de bolsas de estudo e de acção social escolar", referindo que os estudantes "têm um conhecimento directo das situações e portanto o seu contributo é bem-vindo", justificando assim a ronda de reuniões que desde o dia 5 de Novembro iniciou com vários dirigentes de associações académicas com vista ao estabelecimento de um Contrato de Confiança com o sistema de ensino superior. "Não é possível que todos tenham possibilidade de ser bolseiros, seria uma distorção de prioridades. Famílias que não precisam de apoios suplementares não os devem receber", referiu o ministro, assumindo que "existem ainda alunos que não entram no ensino superior porque, dado o grau de carência das suas famílias, nem sequer consideram essa hipótese".

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Primeira manifestação contra o novo Governo

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opinando a propósito

Eu sou um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velhote(85anos) mas ...

José G.Cravinho

18.11.2009 10:44

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