As três crianças de Tomar alegadamente impedidas pela Associação de Pais de almoçar na cantina da escola, por falta de pagamento do serviço, não voltarão às aulas até haver uma decisão do pedido de transferência.
Alexandra Leal, mãe das meninas de 5, 7 e 8 anos que frequentam a EB 1 do Ensino Básico de Carvalhos de Figueiredo, em Tomar, confirmou à Lusa que pediu a transferência de escola para Frazão, na zona de Paços de Ferreira, onde vive o pai das crianças.
“Devido a esta situação, a mais nova chegou a casa transtornada com os comentários cruéis dos colegas sobre mim e o pai”, contou Alexandra Leal, dizendo que, na terça-feira, foi o último dia que as filhas foram à escola.
Esta decisão acontece depois de uma reunião com a Associação de Pais em que, afirmou Alexandra Leal, ela e o ex-marido foram confrontados com acusações de terem mentido quando disseram que as crianças foram impedidas de almoçar junto dos colegas.
Foram também acusados de não zelarem pelo bem-estar das crianças, tendo mesmo o pai sido ameaçado fisicamente por quatro dos pais presentes, acrescenta Alexandra Leal.
“Queriam que desmentisse a situação. Não vou desmentir o que é verdade. Vão ter que pedir desculpa às minhas filhas”, declarou a mãe, acrescentando que na reunião chegou a ser proposta uma votação para exigir a saída das crianças da escola.
Pedro Fontes, presidente da Associação de Pais, confirmou à Lusa que os “ânimos se exaltaram”, mas que nunca se chegou a uma confrontação física, admitindo, no entanto, “alguma violência verbal” por parte de encarregados de educação indignados com a “exposição vergonhosa” a que Alexandra Leal e o ex-marido sujeitaram as suas filhas.
Admitiu também que houve pais que sugeriram que as crianças fossem retiradas daquela escola, mas a ideia terá sido rapidamente abandonada.
O problema começou quando, na quarta-feira da semana passada, Alexandra Leal foi forçada a ir à escola para dar o almoço às filhas, um serviço que a Associação de Pais se recusava a continuar a prestar por falta de pagamento das mensalidades.
A mãe garante que foi obrigada a dar almoço às crianças fora do recinto da escola, e que, só por decisão do Agrupamento de Escolas de Santa Iria, pôde voltar a dar a refeição na cantina, mas sem os serviços da Associação de Pais.
O presidente da associação garante que nunca “retirou o almoço às crianças, até porque não tem competência para o fazer”, uma vez que só presta um serviço de assistência e vigilância durante os almoços, pagos pela Câmara Municipal, e que “se limitou a retirar a prestação de serviços”, negando também que tenha forçado as crianças a comer fora da escola.
Alexandra Leal, que em 2011 ficou desempregada, garantiu que na terça-feira saldou a dívida deste ano lectivo, de quase 172 euros, o que o presidente da associação de pais desmente.
A direcção da escola reuniu com os pais das meninas na segunda-feira para aferir a situação, tendo “tomado nota” do que lhes foi transmitido. Já a Associação de Pais garante ter recebido da direcção a garantia que não fizeram nada de ilegal e a compreensão pela decisão tomada para evitar o acumular da dívida.
A Confap (Confederação das Associações de Pais) “condenou a actuação da associação” e considerou “inaceitável” a decisão já que vai “contra os direitos das crianças”.


