Os alunos que frequentam as escolas madeirenses estão impedidos de consumir nas escolas bolos de aniversário com creme, uma das regras impostas pela secretaria regional da Educação (SRE) para fomentar hábitos alimentares saudáveis junto dos mais jovens.
"Durante alguns anos, no primeiro ciclo e creches, o governo regional é que fornecia a alimentação, que era controlada por nutricionistas" e fazia "recomendações às escolas maiores", diz o secretário regional da Educação madeirense. Francisco Fernandes acrescenta que "desde o ano passado, a SRE passou a ser mais rigorosa" e as "recomendações passaram a instruções, dizendo que tipo de alimentos não podiam ter nas escolas".
O responsável deu como exemplos alguns tipos de chocolate, sumos com gás, batatas fritas, entre outros, "porque eram coisas que existiam nos bares das escolas que serviam para os alunos compensarem aquelas que foram excluídas dos "buffets saudáveis". "Agora há um regulamento e as escolas têm cumprido", salienta.
No site da Rede de Bufetes Saudáveis, um projecto desenvolvido na Madeira desde o ano lectivo 2000/2001, a que aderiram 70 por cento das escolas da região, as figuras do "João Batido" e da "Sandra Mista" dão indicações e enunciam as regras de alimentação que vigoram nos estabelecimentos de ensino madeirenses. Podemos constatar, entre outros aspectos, que apenas é permitido o consumo de água, as crianças não podem levar "cesta" com alimentos, os fritos foram excluídos das ementas escolares e nos dias festivos os bolos e sumos devem ser com frutas ou vegetais.
Resistências e reacções negativas
Falando sobre estas regras, o secretário regional dá como exemplo uma sala de creche com 20 crianças: "São vinte bolos de aniversário, seriam vinte vezes no ano. Portanto, acabamos com os bolos com creme. Nas festas de aniversário podem levar um bolo com creme, mas daquele que se tira facilmente depois de serem apagadas as velas".
Francisco Fernandes realça também as dificuldades registadas para introduzir as saladas verdes e sopas nos menus escolares em alguns concelhos, caso do Porto Santo, "por serem itens que não fazem parte dos hábitos alimentares dessas localidades". O governante madeirense fala ainda de algumas resistências e reacções negativas por parte dos alunos e até dos pais, criticando a postura daqueles que, "pensando que sabem o que é melhor para os filhos, até assinaram autorizações para os alunos poderem sair das escolas a fim de lancharem fora porque não gostavam do que havia no bar".
O responsável sublinha que no início da implementação deste projecto "a escola estava igualmente um pouco prisioneira dos compromissos comerciais, os fornecedores reagiram mal, mas agora até já se adaptaram", facultando alimentos e bebidas mais saudáveis. "Aos poucos as coisas foram melhorando e já há menos críticas", garante o governante. Francisco Fernandes realça, assim, a responsabilidade e o papel da escola no combate aos "índices de obesidade que dizem que uma em cada quatro crianças é obesa", sustentando que "também é preciso não ser fundamentalista".


