Louçã critica qualquer tentativa de criminalização da indisciplina escolar 
30.03.2008 - 18:12 Por Lusa
O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, criticou hoje qualquer tentativa de judicialização ou criminalização dos problemas de indisciplina escolar, considerando que levar para os tribunais essas questões é desistir de as combater. "Judicializar ou criminalizar não resolve os problemas de indisciplina", afirmou o bloquista, num encontro com professores promovido na sede do partido, em Lisboa.
Recordando que o Presidente da República, Cavaco Silva, irá receber em Belém o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, para falar sobre a violência escolar, Francisco Louçã rejeitou que sejam os tribunais a resolver os problemas de indisciplina nas escolas. "Não é o tribunal que vai resolver a indisciplina, o tribunal resolve crimes", sublinhou, considerando que levar os problemas de indisciplina para dentro de um tribunal "é desistir de os combater".
O líder do Bloco de Esquerda salientou ainda que "o tempo da escola não é o tempo dos tribunais", não podendo a escola esperar anos para ver resolvido um problema. "O tempo da escola é o dia", declarou. Contudo, acrescentou, compreende-se que o Presidente da República queira ouvir Pinto Monteiro, não vendo o Bloco de Esquerda "grande problema" no encontro que inicialmente estava agendado para segunda-feira, mas que foi adiado por Cavaco Silva estar com gripe.
Ainda a propósito da indisciplina nas escolas, Francisco Louçã condenou a "tentação mórbida" de tentar transformar os casos que são tornados públicos numa "telenovela mexicana", numa alusão implícita à situação que envolveu uma aluna de 15 anos da Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, e uma professora, no último dia de aulas antes das férias da Páscoa. A docente terá alegadamente sido vítima de violência física e verbal por parte da aluna, depois de a professora lhe retirar um telemóvel, cujo uso é proibido durante as aulas.
Francisco Louçã, que falava perante uma plateia de algumas dezenas de professores, deixou ainda duras críticas à política do Governo para a Educação, considerando que o executivo de maioria socialista "despreza todas as questões essenciais da vida educativa", como o insucesso escolar ou a falta de qualidade dos estabelecimentos de ensino. "São questões que não se resolvem perseguindo os professores. Tudo que o Governo faz agrava os problemas das escolas", sublinhou.
Sobre o sistema de avaliação de desempenho dos professores, o líder do BE renovou as críticas que o seu partido tem feito, classificando-o como "um labirinto que nenhuma escola consegue resolver". Além disso, continuou, o Governo continua a fingir que impõe o modelo, sem ouvir as críticas dos responsáveis das escolas, que consideram que o sistema de avaliação de desempenho dos professores é "um modelo desadequado" e sem "nenhuma viabilidade".
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