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Entrevista com António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa

Lisboa deve jogar na 1.ª divisão

21.05.2009 - 07:00 Por Bárbara Wong

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António Nóvoa defende a necessidade de organizar a rede do ensino superior de maneira a criar uma instituição forte. Os cursos para alunos maiores de 23 anos têm sido feitos com rigor para não defraudar expectativas, informa.

A UL tinha o projecto de ligação ao Instituto Politécnico de Lisboa (IPL), ainda não foi por diante?

Nós entendemos que a situação actual é insustentável, é evidente que Lisboa precisa de ter uma referência de uma grande universidade e nenhum de nós [UL e restantes instituições] consegue. Se estiver de costas voltadas para a Universidade Técnica de Lisboa (UTL), Universidade Nova de Lisboa (UNL) e IPL, a competir pelos mesmos alunos, nenhum de nós consegue. Tentar competir vai desgastar as universidades, que podem ficar um bocadinho melhor ou pior, mas é como se estivessemos a falar de um jogo de 3.ª divisão e para jogar na 1.ª é preciso as instituições reorganizarem-se.

Como?
Devemos seguir as melhores práticas europeias e norte-americanas de juntar as instituições, desde agregação no topo por programas inter-universitários, como na base com mobilidade dentro das instituições. Para construir uma referência de Lisboa como cidade universitária.

Há resistências por parte das instituições?
As resistências são enormes, vêm do poder politico, de maneira inexplicável; de outras instituições; de dentro da UL e há aqueles discursos de quem não conhece nada da realidade internacional e tiram exemplos sobre Oxford, Cambridge, mas desconhecem que essas universidades estão centradas nas pós-graduações e dependentes de uma rede de pequenas universidades que fazem a formação de base. Uma universidade em Lisboa tem que ser capaz de fazer as duas. Espero levar mais fundo os acordos com a UTL e a UNL; e que seja possível a integração do ensino das escolas de enfermagem na UL.

Porque é que há essa resistência por parte do MCTES, quando o discurso do ministro Mariano Gago é que deve haver fusões e racionalização da oferta?
Não sei explicar. Sobretudo, quando nas outras cidades o ensino da enfermagem está enquadrado nas universidades. Relativamente ao IPL, estamos a fazer programas de doutoramento em conjunto, acordos de mobilidade para estudantes. Estamos a tentar fazer o que nos é possível dentro dos limites da lei, mas queríamos evoluir para um consórcio. Sabemos que este é o caminho e não é o de separar, de discriminar, mas de tentar fazer grandes instituições com formações universitárias e politécnicas, sem guetos.


A UL está reorganizada de outra maneira, as faculdades já integraram grandes áreas de saber?
Sim, foram constituídas cinco áreas de conhecimento, cada uma vai ter um vice-reitor e grande parte da vida universitária vai ser definida pelo conselho universitário, que presido. Progressivamente, grande parte das competências da reitoria vai sendo delegada para essas áreas. É a inovação principal dos estatutos da UL.

O que é que a UL vai fazer com os cursos com menos alunos como os estudos Clássicos?
Nem que tenha zero alunos, continua aberto. Não admito uma universidade em Lisboa sem os estudos clássicos, porque são fulcrais para a língua e para a cultura. Mas devemos encontrar mais alunos para esses cursos. Não vamos transformar a universidade numa escola onde só se fazem os cursos da moda.

Os cursos para maiores de 23 têm sido um balão de oxigénio para muitas instituições. Acontece o mesmo na UL?
Temos conseguido conciliar de forma rigorosa três aspectos: o acesso; a creditação e reconhecimento da experiência prévia; e a criação de condições dentro das faculdades para que as pessoas tenham sucesso. Temos feito de maneira muito prudente, seleccionado as pessoas de forma rigorosa. Os cursos para maiores de 23 oi uma grande iniciativa deste Governo, mas é verdade que pelo país há praticas inaceitáveis, que defraudam expectativas das pessoas. Os cursos podem ser uma tábua de salvação para as instituições mas é muito mau para as pessoas.

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ECDESP

Como é possível juntar o IPL (ISEL) à UL, quando o ministro prentende transformar o politécnico num ...

alguém

21.05.2009 08:59

X

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