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Lagoa Negra

Junta desmente que pais tenham dado autorização à concentração de ciganos

17.03.2009 - 16:44 Por Mariana Oliveira

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O secretário da Junta de Freguesia de Barqueiros, António Cardoso, garante que o comunicado da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) sobre a concentração de alunos ciganos numa só turma na escola EB1 de Lagoa Negra, Barcelos, “é uma farsa”. O autarca põe em causa o acordo que a DREN afirma ter estabelecido com matriarca da comunidade cigana que, entretanto, também já hoje lhe desmentiu este entendimento.
A turma tinha as aulas separadas do resto dos alunos A turma tinha as aulas separadas do resto dos alunos (Adriano Miranda (arquivo))

Segundo António Cardoso, pais que vivem no mesmo acampamento voltaram a confirmar que nunca foram ouvidos pelo agrupamento que dirige a escola quanto a esta turma-projecto. Já ontem o PÚBLICO falou com um casal, com três filhos na turma, que insistiu nunca ter sido avisado das alterações antes delas estarem decididas. António Cardoso nega também que as crianças e jovens estivessem já fora da escola, como afirmou ontem a directora-regional de educação do Norte, Margarida Moreira, numa entrevista à RTPN. “A senhora directora mentiu descaradamente”, sublinha o autarca.

Ainda hoje a alta-comissária para a Imigração afirmou que, pelas informações que dispõe, a opção da Escola de Barqueiros de concentrar alunos ciganos numa única turma terá sido uma decisão tomada em conjunto com os pais.

À margem da apresentação do relatório da comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura das audições sobre portugueses ciganos, Rosário Farmhouse referiu ainda estar a aguardar informação mais detalhada do Ministério da Educação (ME) sobre o caso, considerando que, se os dados de que dispõe se confirmarem, "trata-se de um caso intermédio de integração".

"De futuro, o ideal é que as crianças se possam misturar. Se esta é a solução imediata [encontrada pela Escola de Barqueiros] temos de aceitá-la", afirmou a alta-comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, explicando que a situação afecta alunos ciganos com idades superiores às das outras crianças naquela escola, que está em fase de mudança.

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