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Entrevista ao reitor da Universidade do Porto

José Marques dos Santos: "Tudo o que não for excelente ou muito bom não deve continuar"

29.06.2010 - 10:22 Por Andrea Cunha Freitas

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 (Fernando Veludo)
Para quem não gosta de polémicas, José Marques dos Santos pode estar a brincar com o fogo. De forma convicta, o reeleito reitor da Universidade do Porto avisa que a reorganização interna da Universidade do Porto vai avançar até final de 2011, que o número de horas de aulas semanais deverá diminuir e o corpo docente fixo também (cerca de 15 por cento). Apesar de evitar posições políticas, assume-se defensor da regionalização. E, apesar de reconhecer os avanços do país, pede coragem ao Governo para avançar com uma reorganização da oferta dos cursos. Temos, nota, o dobro das instituições de ensino públicas do que devíamos. Marques dos Santos confirma que tem por hábito "não ser chorão" e defende grandes mudanças para os próximos anos.

Insiste na importância da internacionalização e na aposta na investigação. Isso ainda não foi conseguido na UP?

Na minha candidatura há uma continuidade. Desses objectivos traçados vários já foram alcançados, mas queremos agora consolidar as nossas posições. Em 2011 queremos estar entre as cem melhores da Europa, e nalguns rankings já estamos, e em 2020 entre as cem melhores do mundo. Queremos desenvolver a pós-graduação não crescendo na pré-graduação. Queremos apoiar o que é excelente, que temos em várias áreas. Defendo que mesmo o bom não deve sobreviver no futuro. O que não for muito bom ou excelente não deve continuar.

Esses objectivos serão comuns a muitas outras universidades. O que pode distinguir a UP?

Queremos ter a excelência em todos. Nós queremos que a UP seja a universidade de investigação. Em Portugal só haverá lugar para uma ou duas...

Já foi notícia pelos bons resultados obtidos com as receitas...

Estamos em 50 por cento de receitas próprias e 50 por cento de receita recebida do Orçamento de Estado (mais de 130 milhões de euros). O objectivo é chegar a 55 por cento de receitas próprias dentro de cinco anos.

Não se queixa?

Se conseguir manter assim é bom, é razoável. Se nos pedirem mais coisas no futuro, tem de haver um acerto. Tenho por hábito não ser chorão.

Vai avançar com a fusão de faculdades?

Nunca falei em fusões. Penso que a UP precisa de se reorganizar de modo a tirar mais proveito da sua diversidade. É um trabalho que estamos a desenvolver com o conselho geral.

Falava-se em cinco grandes núcleos...

Não sei se serão cinco, seis ou sete. Vamos estudar. Mas garanto que isto terá de ser feito sem perder identidades.

Para concluir quando?

O processo de discussão começa agora e até ao fim de 2011 queremos ter implementada a reorganização.

Qual é o objectivo?

O que se pretende é evitar a duplicação de áreas dentro das faculdades

Dê-me um exemplo.

Posso dar vários. Temos vários departamentos de Sociologia, de Matemática, Física, Anatomia... há repetições.

A ideia é criar super-departamentos?

Não acredito em estruturas com uma dimensão exagerada. Há muitas soluções em aberto. Talvez uma faculdade apoiar outras na leccionação daquilo em que é competente.

Não vamos chegar à conclusão de que temos gente a mais?

Não. Há gente que podemos libertar para fazer investigação. É a tal gestão de recursos humanos. Tem de ser feita por duas vias: por um melhor aproveitamento; e tentando reduzir também o número de aulas semanais dos estudantes. Temos um exagero de horas de aulas para os estudantes. Isto não é um liceu. O estudante tem de ser treinado a ter autonomia.

E o que implica mais esta reorganização?

Melhorar a qualidade dos serviços, por exemplo. Não é possível ter 14 serviços administrativos de qualidade, um em cada faculdade.

Não espera contestação?

O que queremos é que as pessoas tragam ideias. Não chega serem contra por ser contra, têm de mostrar como é que isso pode ser prejudicial.

As pessoas investiram nas suas carreiras...

Ninguém vai mexer nas carreiras. Ninguém vai mandar embora as pessoas. Vão é ser melhor aproveitadas.

O que vai acontecer com o corpo docente?

Nos próximos anos teremos muitas jubilações e aposentações. É preciso fazer um planeamento muito sério da renovação para os próximos dez anos. Contratar só os que forem precisos e só os muito bons e excelentes, de preferência de fora da universidade.

Teremos uma redução do corpo fixo?

Sim.

Quanto?

Estamos a fazer essas contas agora. Mas andará na ordem dos 15 a 20 por cento.

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OBSERVADOR 10

Excelente e bom so na merdaleja .. deves vir da independente, senta-te e descansa que isso ...

Anónimo

29.06.2010 16:37

X

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